O lobista Fernando Moura afirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro que Furnas era uma estatal controlada pelo hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG), cujo indicado para a diretoria foi escolhido por ele e aceito pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, e que o esquema de propina se assemelhava ao instalado na Petrobras. “É um terço São Paulo, um terço nacional e um terço Aécio.”
A declaração foi feita em resposta a questionamento do Ministério Público Federal, durante novo depoimento prestado ao juiz em Curitiba (PR), na quarta-feira. O nome do tucano foi citado por Moura quando ele falou sobre uma reunião em 2002, logo após a vitória de Lula ao Planalto, onde se discutia a escolha de nomes para a diretoria de diversas estatais, entre elas a Petrobras. A reunião serviria para selecionar cerca de “cinco diretorias de estatais” para alimentar o caixa de campanhas eleitorais futuras. “O que seria interessante a nomeação das pessoas? Foi conversado sobre Petrobras, Correios, Caixa Econômica Federal, Furnas, Banco do Brasil”, relacionou Moura. Todos deveriam ser funcionários com, no mínimo, 20 anos de carreira na empresa.
Em nota, o PSDB definiu como “declaração requentada e absurda” a citação a Aécio e uma “velha tentativa de vincular o PSDB aos crimes cometidos no governo petista”. “O partido jamais fez qualquer indicação para o governo do PT e o senador Áecio Neves não conhece o lobista”, acrescenta.
Usina de Furnas era controlada por Aécio Neves durante governo Lula, diz delator

Senador tucano Aécio Neves (Foto: Werther Santana/AE)