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Uso do cartão de crédito no Brasil não está crescendo tanto quanto o esperado

. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O volume transacionado com cartões totalizou R$ 839,5 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de 10,7% na comparação com igual período do ano passado. O ritmo está abaixo do previsto pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) para 2023, mas, segundo a entidade, está dentro do esperado para o início do ano em meio a um cenário macroeconômico difícil e a um ambiente ainda restritivo para o crédito.

No início do ano, a Abecs estimou crescimento de 14% a 18% para a indústria em 2023, depois de uma alta de 25% no ano passado.

Em sua primeira entrevista como presidente da associação, Giancarlo Greco disse que os números do primeiro trimestre indicam um crescimento ainda robusto da indústria e que não são motivos de alarme.

Ele afirmou que, no segundo e terceiro trimestres, a indústria deve seguir com uma postura mais conservadora, mas ponderou que alguns emissores já têm mostrado uma inadimplência controlada, o que pode favorecer o desempenho do setor à frente. Na próxima divulgação trimestral, a associação deve ter mais clareza sobre as projeções para o ano, completou.

Os dados divulgados pela Abecs mostram que foram movimentados R$ 539,2 bilhões via cartões de crédito no primeiro trimestre, uma alta de 12,7%. No débito, foram R$ 234,6 bilhões, uma redução de 0,3%, e no pré-pago, R$ 65,5 bilhões, crescimento de 47%.

No período, os pagamentos por aproximação continuaram crescendo ao somarem R$ 191,3 bilhões, alta anual de 85,4%. Já os pagamentos via cartão em compras não presenciais somaram R$ 179,8 bilhões, aumento de 10,8%.

No último dia 11, executivos da associação tiveram reunião com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Segundo a entidade, o objetivo foi apresentar o recém-eleito conselho de administração. Os conselheiros, diz a entidade, propuseram a construção de uma agenda de eventos e encontros com o órgão regulador, com o objetivo de debater projetos e iniciativas que ampliem o escopo dos meios de pagamento digitais na sociedade, com foco na melhoria de experiência do usuário, da segurança e da eficiência das transações.

Greco disse a jornalistas antes da reunião que a associação tem acompanhado as discussões sobre possíveis mudanças no rotativo do cartão de crédito e que o debate tem sido “técnico e estruturado”. Ele frisou que a possibilidade de o parcelado sem juros terminar é “zero”, mas acrescentou que há, de fato, preocupações relativas à precificação e ao formato do produto. “Temos que endereçar o problema de forma estrutural, mas sem prejudicar o consumo.”

A expectativa é que nas próximas semanas algumas propostas comecem a ser debatidas.

Sem dar detalhes, Greco, disse que nesta semana o setor deve divulgar medidas voltadas a melhorar a experiência do usuário com o débito no universo on-line. A Abecs vem conduzindo um trabalho junto à indústria para aumentar a aceitação do meio de pagamento no e-commerce. As informações são do jornal Valor Econômico.

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