A ministra da Saúde, Nísia Trindade, informou que a vacinação contra a dengue será “progressiva” por conta do “número limitado” de doses produzidas pelo laboratório fabricante. A Qdenga é recomendada para as pessoas de 4 a 60 anos. No entanto, o primeiro alvo da vacinação será o grupo formado por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos nos municípios considerados prioritários.
A faixa etária, segundo o Ministério da Saúde, é o que mais registra internações após os idosos, que não tiveram o imunizante liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A Takeda destaca, na bula, que não há dados do uso da vacina nas pessoas com mais de 60 anos — o que, posteriormente, impossibilitou a liberação por parte da agência reguladora brasileira. Em nota ao Valor, o laboratório informou que “não foi evidenciado, em crianças com menos de 4 anos, claro benefício clínico que justificasse a indicação da vacina” a essa faixa etária.
O laboratório ressalta que “apesar de não ter sido demonstrado benefício nessa população, não houve qualquer problema de segurança ou evento grave relacionado, durante os estudos” e conclui que “os dados disponíveis da Qdenga limitam-se à população de 4 até 60 anos”.
A vacina também é contraindicada para outros grupos, como explica Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), em entrevista ao Valor.
“A Qdenga é uma vacina viva atenuada. Ou seja, ela tem o vírus enfraquecido, incapaz de causar a doença. Ainda assim, é um vírus vivo. Por isso, é contraindicada, como todas as vacinas atenuadas, para gestantes – porque pode passar o vírus atenuado para o bebê –, imunosuprimidos, e lactantes porque, provavelmente, o vírus passa pelo leite materno. Como não temos ensaios de segurança do que o vírus pode causar no bebê, ela é contraindicada para toda mulher que está amamentando”, destaca.
Veja quem não pode tomar a vacina da dengue:
– Gestantes;
– Mulheres que estão amamentando;
– Indivíduos com infecção por HIV sintomática ou infecção por HIV assintomática quando acompanhada por evidência de função imunológica comprometida;
– Indivíduos com imunodeficiência congênita ou adquirida, incluindo aqueles recebendo terapias imunossupressoras tais como quimioterapia ou altas doses de corticosteroides sistêmicos dentro de quatro semanas anteriores à vacinação, assim como ocorre com outras vacinas vivas atenuada;
– Hipersensibilidade à substância ativa O ou hipersensibilidade à uma dose anterior de Qdenga. As informações são do jornal Valor Econômico.
