Futebol é o esporte das multidões.
VAR (Vídeo Assistant Referee) é uma nova tecnologia que uma equipe de arbitragem, na frente de monitores de TV, distantes, auxiliam o árbitro no campo para corrigir eventuais erros em lances capitais. Introduzida em 2018, é o resultado do avanço tecnológico inevitável em todas as áreas da atividade humana. A implacável tecnologia prometeu tornar o futebol mais justo, mas ainda a interpretação final pertence ao cérebro humano. É por isso que ainda existem debates acirrados sobre as decisões do VAR.
Agora na Copa, o jogador Balogun, dos EUA, contra a Bósnia, foi expulso por pisar e deformar plasticamente o tornozelo do zagueiro Muharemovic. No lance acidental sequer havia percebido que o mesmo estava perto, pois olhava somente a bola. O juiz brasileiro expulsou o jogador quando foi alertado pelo VAR. O desfecho foi tão injusto que a FIFA desconsiderou o cartão vermelho.
O gol anulado do zagueiro colombiano Sánchez, nos acréscimos contra Portugal foi invalidado por impedimento milimétrico da chuteira do jogador. Se ele calçasse 41 ao invés de 42 não estaria impedido. Foi um impedimento quântico! Um impedimento hilariante!
Pior ainda, existe a crítica do “VAR seletivo”. É aquele que chama o juiz para favorecer alguém ou não chama para favorecer outro.
O VAR gera um debate constante entre a justiça e a paixão. O gol é objetivo maior do jogo. Mas até nesse momento existem confusões e interpretações contraditórias. No impedimento, se o atleta tem 1% do corpo adiantado, traçado por linhas angulares diferentes, ele está em offside, isto é impedido.
Entretanto, se na linha do gol a bola ultrapassar 99% para dentro, o que vale é o 1% que está na linha. Não é gol!
O grito de gol vem da garganta, do fundo do peito! É a felicidade! É a glória! É o prazer! Esta alegria só é mais completa quando saltamos e abraçamos alguém do lado. Pode ser conhecido ou desconhecido. É GOL!!!!!!!
Hoje, de repente percebemos que tudo isso pode ter sido em vão. É quando o VAR é acionado. O medo da anulação do gol leva à expectativa, a incerteza e a ansiedade. A taquicardia inicial se transforma na bradicardia da revolta. Sabemos que isto pode se transformar em grande frustração. Certamente o VAR rouba a emoção do futebol. Rouba a essência, a sua magia.
Acho que sou receptivo e equilibrado em relação à tecnologia. Posso falar e ver minha filha Gabi agora em Sydney!
É fantástico! Entretanto só me tornarei fã incondicional quando um computador ou um robô me fizer chorar. Ou quando a tecnologia fizer um quadro mais admirado e mais caro que a Monalisa. Ou quando provarem que sexo à distância, com qualquer software, é melhor que o presencial!
VAR, o futebol, certamente está muito ressentido contigo!
(Carlos Roberto Schwartsmann – Médico e Professor universitário – schwartsmann@gmail.com)
