Por mais que o campo da inteligência artificial esteja avançando, os filmes continuam a representá-lo de maneira equivocada. Os cientistas atualmente trabalham com alternativas de algoritmos (sistemas de regras de computador) ou mesmo modelos computacionais (o que usamos até hoje é o proposto pelo matemático inglês Alan Turing) para tentar galgar um avanço na área.
O problema é que a produção cinematográfica não se atém, necessariamente, ao que muitos cientistas considerariam básico. Além disso, a reprodução do que seria inteligência artificial (ou IA), acaba não sendo muito precisa. O maior dos problemas é que as máquinas fogem das “cláusulas pétreas” de quando foram elaboradas. Uma reportagem publicada pela revista Science mostrou filmes que pecam (ou acertam) na representação da IA. Confira.
“Chappie” (2015)
O filme Chappie conta a história de um robô-policial que funcionava com uma IA limitada, pré-programada, incapaz de aprender e sem consciência própria, até que ele se “acidentou” e foi descartado.
Um programador resolve aproveitar a máquina para instalar o software da inteligência artificial e da autoconsciência que desenvolveu. O inverossímil é que o programador consegue criar o código sozinho, o que seria impossível dado o nível de complexidade da área de inteligência artificial.
Um ponto certo do filme é que Chappie aprende como uma criança, e vai incorporando regras de convivência e vocabulário aos poucos.
“Ex Machina” (2015)
Nesta história, o criador do maior sistema de buscas on-line do mundo cria um protótipo robótico para abrigar a inteligência artificial que criou sozinho após uma série de tentativas.
Assim como no caso de Chappie, o programador, Nathan, é um gênio. Mas nesse caso, ele é um gênio entre os gênios, já que ele também domina robótica o suficiente para construir robôs humanoides funcionais (e esteticamente agradáveis).
O grande problema é que o cérebro de Ava, o protótipo, é alimentado pelo conteúdo de buscas na internet. Não há uma boa explicação de como isso acontece (tal como ocorre em Chappie) ou de como uma personalidade pode ser construída a partir daí.
“Eu, Robô” (2004)
Aqui aparecem com clareza as três leis da robótica elaboradas pelo escritor de ficção científica Isaac Asimov (que escreveu um livro também intitulado “Eu, Robô”): Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal; Um robô deve obedecer as ordens que lhe sejam dadas por seres humanos exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei; Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal proteção não entre em conflito com a primeira ou segunda leis. Com as leis respeitadas, seria possível uma convivência pacífica entre humanos e máquinas inteligentes.
No entanto, quando o sistema inteligente Viki resolve introduzir a lei Zero (“Um robô não pode causar mal à humanidade ou, por omissão, permitir que a humanidade sofra algum mal”), os robôs decidem que a humanidade é um perigo para si mesma (o que faz algum sentido) e decidem pacificá-la.
O problema é que Viki não poderia, por si só, implementar uma lei acima das outras, já que isso não estaria em sua programação original.
“O Homem Bicentenário” (1999)
Mais uma vez, a inteligência artificial está dentro de Andrew, um robô, interpretado por Robin Williams. O detalhe aqui é que ele faz um esforço para, ao longo de décadas, se tornar humano de fato. Para ser reconhecido como tal, ele precisa morrer. Estranho é que mesmo com uma inteligência notável e com preconceito que sofre dos humanos, Andrew segue em frente com o plano – o que contrariaria um instinto de sobrevivência e, flagrantemente, sua programação original.
“2001: Uma Odisseia no Espaço” (1968)
Em uma missão para investigar um estranho sinal emanando da Lua, HAL 9.000, a entidade de inteligência artificial a bordo de uma espaçonave, toma algumas atitudes inusitadas, como enganar a tripulação. Dos filmes da lista, esse é o exemplo que melhor retrata a IA, já que HAL age para atingir o objetivo da missão baseado apenas em sua programação inicial. Ou seja, mesmo sem consciência, uma IA pode ser vilã, justamente por se ater ao seu código inicial de regras. (Folhapress)
