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Veja o que se sabe e o que ainda não se sabe sobre a maconha

Faltam estudos de longo prazo para conhecer todos os efeitos da erva. (Crédito: Reprodução)

O debate sobre o uso de maconha foi reaceso há pouco com a publicação de um novo estudo que mostrava poucos malefícios causados pela erva na saúde física em um longo prazo. A pesquisa era robusta: acompanhou mil pessoas por décadas. O único dano atribuível ao consumo da maconha durante 20 anos? Uma saúde bucal pior.

Quanto a outros parâmetros, houve algumas melhoras irrisórias ou pioras questionáveis – é o caso da função pulmonar dos usuários.

Como o estudo foi conduzido entre os 18 e os 38 anos de vida dos pacientes, porém, ainda não é possível saber o efeito da maconha em doenças neurodegenerativas, que costumam aparecer mais na terceira idade.

Mas o mesmo grupo de cientistas, estudando os mesmos mil pacientes, já havia obtido grande repercussão internacional ao mostrar que o uso frequente de maconha na adolescência provoca perdas cognitivas consideráveis na fase adulta – queda de 8 pontos em um teste de QI.

A explicação para isso é que os canabinoides teriam capacidade de interferir na formação das conexões nervosas, alterando a estrutura do cérebro, que ainda está em formação nessa fase da vida. Nesse sentido, há um consenso entre estudiosos de que se deve evitar a exposição precoce à maconha.

Por outro lado, se o hábito de fumar começa na vida adulta, há menos risco de danos, aponta o grupo.

Longo prazo.

As duas pesquisas, lideradas por Madeline Meier, da Universidade do Estado do Arizona (EUA), ganharam destaque por ocuparem uma lacuna que a ciência ainda está começando a preencher: descrever os efeitos de longo prazo do uso da erva. Um dos mais comuns é o que diz que a maconha não causa dependência, que afeta 9% dos usuários (o número sobe para 17% quando o uso começa na adolescência). Mas é importante considerar que, em comparação com nicotina, heroína, cocaína e até mesmo a cafeína, o poder de vício da maconha é o menor.

Outra associação importante é aquela entre maconha e esquizofrenia. O uso de maconha está relacionado à doença, mas isso não quer necessariamente dizer que a erva é a causa exclusiva – provavelmente a doença aparece em quem já tem predisposição genética, e há uma tendência das pessoas afetadas de usar a droga como uma espécie de “tratamento” dos sintomas.

Por fim, casos de overdose, de fato, são raros. (A menos quando se trata de maconha sintética, que, na verdade, nem cannabis é. A droga é composta de uma base vegetal borrifada com versões sintéticas de THC, mais potentes). (Folhapress)

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