Talvez não seja preciso encontrar um novo medicamento contra o coronavírus Sars-Cov-2. Remédios que já existem também podem ajudar a combater o patógeno causador da doença respiratória Covid-19.
A vantagem do procedimento chamado “reposicionamento” é óbvia, pois adaptar medicamentos já aprovados ou desenvolvidos não é só mais barato, mas também muito mais rápido, já que é possível encurtar as longas fases de testes clínicos.
Independentemente do princípio ativo que vai acabar sendo usado para combater o novo coronavírus, é preciso primeiro aguardar os testes e decisões necessárias das autoridades reguladoras de medicamentos.
Por esse motivo, todos os especialistas alertam veementemente para possíveis efeitos colaterais, especialmente por automedicação. Ou seja: é preciso esperar. Nada de tomar qualquer remédio por medo e sem prescrição médica.
Atualmente, três grupos de medicamentos estão sendo testados quanto à sua eficácia contra o Sars-Cov-2.
Sars, Mers, ebola e influenza
É natural readaptar fármacos antivirais que já se mostraram eficazes no combate a outros coronavírus. Afinal, tanto a Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) quanto a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) são causadas por coronavírus. E o Sars-Cov-2 é considerado uma variante do patógeno da Sars de 2002.
Em laboratório, o remédio Remdesivir, originalmente desenvolvido contra infecções por ebola, também teve efeito os coronavírus causadores da Sars e da Mers. Mas a droga desenvolvida pela empresa farmacêutica americana Gilead Sciences ainda não foi oficialmente aprovada em nenhum país do mundo. Atualmente, testes clínicos com Remdesivir estão em andamento nos Estados Unidos e na China.
O medicamento antigripal japonês Avigan, também conhecido como Favipiravir e que contém o princípio ativo favilavir, aprovado no Japão desde 2014 e agora também na China, causou verdadeiro rebuliço no mundo. Foi desenvolvido pela divisão farmacêutica da Fujifilm no Japão. Esse antiviral é usado contra a gripe porque, da mesma forma que o Remdesivir, age contra diferentes vírus de RNA, como é o caso do Sars-Cov-2.
Em 2014, o medicamento foi utilizado com sucesso contra o ebola. Segundo o governo chinês, estudos clínicos promissores também foram realizados com Avigan na cidade chinesa de Wuhan, o epicentro do novo coronavírus na China.
Medicamentos contra a malária
Promovido constantemente pelo presidente Jair Bolsonaro mesmo sem eficácia comprovada, um conhecido princípio ativo contra a malária, a cloroquina, também gerou controvérsia.
Em testes realizados em Marselha, a cloroquina teria inibido a multiplicação do novo coronavírus em culturas de células, reduzindo assim a carga viral em pacientes com evolução mais grave da doença.
Assim, o medicamento também pode ser usado com antiviral, apontam os médicos. No entanto, virologistas como Christian Drosten, do Charité, em Berlim, demonstram preocupações com a condução e a importância do estudo francês.
Atualmente, estão sendo testados outros medicamentos usados contra a malária e com o semelhante princípio ativo hidroxicloroquina. Caso autoridades reguladoras de medicamentos deem aval, as empresas Novartis (Suíça) e Sanofi (França) também planejam disponibilizar milhões de doses para tratar pessoas em todo o mundo.
HIV, câncer, esclerose múltipla e asma
Há também grandes esperanças em torno de um medicamento contra o HIV que combina os antivirais lopinavir e ritonavir. O remédio Kaletra, da empresa farmacêutica americana AbbVie, já foi usado na China, Tailândia e Cingapura como agente terapêutico contra a Covid-19. No entanto, os resultados não foram conclusivos e mais estudos devem ser realizados.
Entre os medicamentos já aprovados ou experimentais estão o Leronlimab, da firma CytoDyn, usado originalmente contra o HIV e câncer de mama triplo negativo; dois anticorpos originalmente desenvolvidos contra a Mers pela firma Regeneron; e a molécula Brilacidin, da empresa Innovation Pharmaceuticals, a princípio destinada ao tratamento de doenças inflamatórias intestinais e inflamação da mucosa bucal.
Além disso, há um grande número de substâncias ativas atualmente em desenvolvimento ou que já foram aprovadas, por exemplo, contra gripe, esclerose múltipla, câncer de mama, artrite, asma, inflamação do pâncreas ou hepatite, que agora também estão sendo testadas em sua eficácia contra o Sars-Cov-2.
