Menos de uma semana após o fim da eleição que sagrou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito ao posto pelo quarto mandato, o entorno da presidência especula quem entra e quem sai para ocupar postos nos ministérios. As acomodações vão desde a pessoas que se envolveram arduamente na campanha da virada no segundo turno, até quadros de partidos aliados derrotados e que devem ocupar algum posto ao lado do petista.
O entorno de Lula afirma que ele só deve começar a decidir a composição do ministério em seu quarto mandato depois de 16 de novembro, quando retornar de uma viagem à Turquia e às Filipinas. O presidente participará da COP31 na cidade turca de Antália e da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático na cidade filipina de Cebu.
Veja os nomes citados ao longo da última semana.
– Lincoln Gakiya: A criação do Ministério da Segurança Pública desponta como a principal novidade da Esplanada no quarto mandato de Lula. Prometida pelo presidente para ampliar a atuação do governo federal no combate ao crime organizado, a nova pasta já tem nomes cotados para o comando, entre eles o do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, conhecido por sua atuação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Interlocutores do presidente afirmam que nenhum nome foi sondado para a função até o momento, mas que já há perfis sendo considerados internamente. De acordo com aliados, Lula pretende dar peso institucional e protagonismo ao tema no seu quarto mandato, além manter o tom mais duro de combate ao crime, semelhante ao que adotou durante a campanha eleitoral. No segundo turno, o presidente chegou a usar o lema: “Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão.” A criação da pasta é uma promessa de campanha e depende da aprovação da PEC da Segurança no Senado.
Gakiya é considerado o maior especialista em de combate ao PCC no País. Em 2019, enquanto o governo de São Paulo hesitava por medo de uma reprise do terror dos atentados de 2006, Gakiya decidiu agir sozinho para isolar a cúpula da facção no sistema penitenciário federal. Sem apoio formal do governador ou do procurador-geral, protocolou o pedido de transferência de Marcola e outros 21 líderes. Um ato que ele mesmo classifica como seu “decreto irreversível de morte”. Hoje, sua escolta rivaliza com a de governadores e presidentes.
– Rafael Fonteles: Um dia depois do triunfo eleitoral sobre Flávio Bolsonaro (PL), com a pressão do mercado financeiro e o derretimento da Bolsa, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, passou a ser cotado para o ocupar o cargo de maior destaque na Esplanada, o Ministério da Fazenda.
Segundo informações do jornal O Globo, Fonteles ampliou os investimentos no estado, mas enfrenta um déficit nas contas públicas. O matemático obteve à frente do estado um forte crescimento da arrecadação pública, que possibilitou uma ampliação significativa dos investimentos, mas com resultados primários negativos nos últimos anos.
Fonteles caiu nas graças de Lula no segundo turno da campanha presidencial. Ele foi um dos incentivadores de que o presidente usasse mais a comunicação nas redes, por exemplo.
– João Campos: O ex-prefeito de Recife João Campos é considerado por aliados de Lula um nome certo para participar do ministério do petista. Sem mandato depois de ser derrotado por Raquel Lyra (PSD) na disputa pelo governo de Pernambuco, Campos preside o PSB, principal partido aliado do PT.
Segundo um auxiliar do presidente reeleito, a expectativa é que o ex-prefeito seja indicado na primeira conversa formal que o PSB tiver com Lula para discutir a composição do novo governo. Não há até o momento uma definição sobre qual pasta ele ocuparia.
O entorno do petista considera possível, porém, que o PSB pleiteie o Ministério da Ciência e Tecnologia, que foi comandado por Eduardo Campos, pai de João, entre 2004 e 2005, no primeiro mandato de Lula. Hoje, a pasta é comandada por Luciana Santos, filiada ao PCdoB.
– Geraldo Alckmin: Vice de Lula na gestão passada e na próxima que virá, Geraldo Alckmin (PSB) teve uma atuação relevante na segunda etapa do pleito e é cotado para o Ministério da Fazenda. Durante quase todo o terceiro mandato do petista, o ex-governador de São Paulo acumulou o cargo de ministro da Indústria e Comércio.
– Camilo Santana: Senador pelo Ceará e ex-ministro da Educação, o petista Camilo Santana é cotado para algumas pastas. Por seu discurso considerado mais duro dentro do partido de combate à criminalidade, o novo Ministério da Segurança Pública poderia ser ocupado por ele.
Mais próximo ainda de Lula no segundo turno, e após uma campanha que garantiu o segundo mandato de Elmano de Freitas à frente do governo do Ceará após derrotar Ciro Gomes no primeiro turno, Camilo também é cotado para assumir a Casa Civil, atualmente sob o comando de Rui Costa. Um aliado do presidente diz ser preciso nacionalizar a imagem do cearense para projetá-lo como possível sucessor de Lula.
– André Janones: Após arregimentar 10 milhões de usuários como “general” no canal de WhatsApp “Exército do Lula”, o deputado reeleito André Janones (Rede-MG) pode ganhar algum cargo junto ao Lula 4. Ao longo da semana, o mineiro afirmou que seguirá a orientação de Lula, seja à frente de um ministério ou na Câmara dos Deputados.
O parlamentar almoçou com o presidente na última quinta-feira e, antes do encontro, disse que considera mais útil permanecer no Congresso, mas não descartou assumir um cargo no governo caso seja convidado.
Janones ganhou força após sua atuação na mobilização digital da campanha eleitoral e passou a ter o nome ventilado como uma possibilidade para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom). Questionado sobre o assunto, afirmou que não recebeu convite.
– Fernando Haddad: O ex-ministro da Fazenda representa uma incógnita. Antes das eleições, ele era dado como praticamente certo para ocupar a Casa Civil. No entanto, com o seu desempenho na derrota na disputa ao governo de São Paulo, outros nomes passaram a ser cotados para a pasta.
Aliados dizem que Haddad não quer voltar à Fazenda ou à Educação, nem assumir uma pasta com disputas internas. Pessoas próximas afirmam que ele considera retomar as aulas na Universidade de São Paulo (USP) e ficar fora do governo.
Haddad passou a ser considerado para o Ministério das Relações Exteriores (MRE). A justificativa seria que é uma pasta de peso, à altura do tamanho político do aliado de Lula e que mantém a proximidade dele com o presidente, que tem na diplomacia um tema muito caro.
As informações são do jornal O Globo.
