O governo de Nicolás Maduro divulgou nesta sexta-feira (5) o cronograma de racionamento elétrico que será implantado na Venezuela, com exceção de Caracas e outros três Estados. Segundo o planejado, os cidadãos ficarão sem luz pelo menos 18 horas por semana, ou seja, ocorrerão apagões de 3 horas por dia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo e das agências de notícias AFP, Efe e Reuters.
O ministério de Energia Elétrica e a estatal Corporación Eléctrica (Corpoelec) projetaram um esquema que divide 20 dos 23 Estados do país em cinco setores, que em diferentes horários serão submetidos ao chamado “plano de administração de carga”. Segundo este plano, um dia por semana cada setor contará com o fornecimento de energia 24 horas.
A medida de racionamento exclui os Estados de Vargas, próximo a Caracas e onde fica o principal aeroporto da Venezuela; Amazonas e Delta Amacuro, regiões de fronteira e afastadas da capital.
Maduro anunciou na semana passada a implementação do racionamento que durará 30 dias, mas só nesta sexta-feira foram conhecidos os detalhes do cronograma. Os cortes programados de luz são a resposta do chavismo à crise de energia elétrica atravessada pelo país desde o dia 7 de março quando começou uma sequência de blecautes que paralisou a Venezuela durante pelo menos 11 dias.
Água estocada
Maduro pediu na quinta-feira (4) que a população armazene água, ao admitir a gravidade dos problemas de fornecimento provocados pelos apagões, que ele atribui à “guerra econômica” promovida pela oposição e patrocinada pelos Estados Unidos. O presidente chavista pediu à população que armazene água em “tanques, bujões” e até em pequenos recipientes.
O objetivo é “enfrentar esta fase de resistência e luta (…), é um conselho, uma orientação que dou ao povo da Venezuela”.
A oposição e especialistas atribuem o colapso no sistema elétrico à falta de manutenção nas instalações, à imperícia e à corrupção, mas Maduro insiste em que trata-se de “uma guerra não convencional para tornar o país ingovernável”.
Maduro também ordenou a governadores e prefeitos que ajudem a implementar um plano para a venda de tanques subsidiados e reafirmou sua oferta de repor os eletrodomésticos queimados pelas interrupções abruptas de energia.
Economia
A economia da Venezuela vai sofrer uma contração de 25% em 2019, segundo previsão divulgada na quinta-feira (4) pelo Banco Mundial, que calculou em 60% a queda acumulada do PIB venezuelano nos últimos seis anos.
“O PIB real se contraiu 18,7% em 2018 e é provável que caia 25% em 2019, o que implicaria em uma queda acumulada do PIB de 60% desde 2013”, afirmou o Banco Mundial em seu último informe semestral sobre América Latina e Caribe.
Segundo o órgão, a “implosão” da Venezuela, país produtor de petróleo, deve-se em primeiro lugar ao manejo da economia, e não tanto pela queda dos preços internacionais dessa commodity.
