Está em tramitação na Câmara Municipal de Porto Alegre um projeto de lei que autoriza a utilização dos créditos do cartão TRI (Sistema de Transporte Integrado) para o pagamento de corridas e serviços prestados por taxistas credenciados. A proposta busca ampliar as formas de uso do saldo já existente no sistema de bilhetagem do transporte público, permitindo que o cidadão possa empregar esses valores em deslocamentos alternativos dentro da cidade.
O TRI é o principal cartão de bilhetagem eletrônica utilizado no transporte coletivo da Capital. Criado para modernizar o acesso aos ônibus e integrar diferentes linhas e modalidades de deslocamento, o sistema foi implementado como alternativa ao pagamento em dinheiro e substituiu os antigos bilhetes físicos e fichas. Com o avanço da tecnologia, o TRI passou a concentrar diferentes tipos de crédito – como passagens adquiridas diretamente pelo usuário e benefícios vinculados a políticas públicas e a empregadores – tornando-se parte do cotidiano de milhares de porto-alegrenses. Ao longo dos anos, o cartão também se consolidou como instrumento de controle e organização do transporte, reduzindo filas, agilizando embarques e ampliando a rastreabilidade das operações do sistema.
Conforme o texto do projeto, de autoria do vereador José Freitas (Republicanos), a operadora do SBE (Sistema de Bilhetagem Eletrônica) deverá ser obrigada a implementar, junto aos taxistas credenciados, a possibilidade de pagamento dos serviços por meio dos créditos disponíveis no cartão TRI. Na prática, a medida determinaria a criação de mecanismos técnicos e operacionais para que os taxistas cadastrados possam aceitar o saldo do cartão como forma de pagamento, de maneira semelhante ao uso de cartões bancários ou aplicativos.
Segundo o vereador, a proposição pretende assegurar maior flexibilidade ao cidadão e reforçar o princípio da liberdade econômica, permitindo que o usuário decida como utilizar os valores que já possui vinculados ao sistema. Para Freitas, a iniciativa também dialoga com a realidade urbana atual, marcada por diferentes necessidades de mobilidade, especialmente em situações em que o transporte coletivo não atende de forma eficiente, seja por horários, rotas, segurança ou urgência do deslocamento.
“O mundo moderno é extremamente dinâmico, não sendo condizente o engessamento de numerário considerável do trabalhador, que acaba obrigado a utilizar o transporte público, que nem sempre lhe é a melhor opção”, apontou Freitas.
A proposta ainda deverá passar pelas comissões internas do Legislativo antes de seguir para votação em plenário. Caso aprovada, poderá abrir caminho para um novo modelo de uso do TRI, transformando parte do saldo do sistema em um crédito com função mais ampla dentro da mobilidade urbana de Porto Alegre, além de potencialmente estimular o setor de táxis ao ampliar a base de usuários aptos a pagar por esse serviço.
