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Viaturas da Polícia Militar do Rio de Janeiro eram usadas para transportar propina

Entre os apontados no suposto esquema de venda de registros de sindicatos estão o ex-ministro Helton Yomura, a deputada Cristiane Brasil e o presidente do PTB, Roberto Jefferson. (Foto: Divulgação)

Um dos delatores da Operação Ressonância, deflagrada na quarta-feira (4), afirmou ao MPF (Ministério Público Federal) que viaturas da PM (Polícia Militar) do Rio de Janeiro foram usadas para recolher o “pedágio” cobrado da empresa para participação em licitações do Into (Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia). O acordo de colaboração premiada do dono da Per Prima Comércio e Representação, Leandro Camargo, homologada pelo ministro Dias Toffoli, foi uma das bases da investigação.

Cartel com multinacionais

O Ministério Público Federal afirma que o empresário Miguel Iskin organizou um cartel com multinacionais e exigia o pagamento de 13% sobre os valores pagos para manter uma espécie de “caixa de propina” a agentes públicos. Camargo disse que, entre 2003 e 2008, pagou o “pedágio” por meio de cheques endossados para saque na agência bancária. Cada um costumava ter o valor de cerca de R$ 40 mil, afirma ele.

“Também tinha um grupo de policiais militares que iam ao banco em viatura da Polícia Militar efetuar estes saques e levavam o dinheiro à sede da Oscar Iskin, no Rio Comprido”, afirmou ele à PGR (Procuradoria-Geral da República). Além da delação, a empresa de Camargo, Per Prima, também firmou acordo de leniência com o Cade (Conselho Administrativo de Atividade Econômica).

A empresa listou às autoridades 70 licitações em que o cartel atuou, citando ao menos 37 empresas envolvidas no esquema. Além da Per Prima, também firmou acordo de leniência a Maquet do Brasil. O seu principal executivo, Norman Gunther, também firmou acordo de delação. A Operação Ressonância investiga fraudes em licitações na Secretaria de Saúde do Rio de Janeiro e no Into (Instituto Nacional de Traumatologia) desde 1996.

Segundo as investigações, Iskin usava influência no Ministério da Saúde para atuar desde a liberação da verba, em Brasília, até o controle de empenho e pagamento de fornecedores no Into. O esquema se expandiu para o governo do Rio de Janeiro quando Sérgio Côrtes foi nomeado secretário de Saúde na gestão Sérgio Cabral (MDB).

Iskin e Côrtes foram presos em abril do ano passado na Operação Fatura Exposta, origem das investigações da Ressonância. Eles foram soltos por liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). O empresário foi preso de novo na quarta. Um dos presos foi também o diretor-executivo da GE para a América Latina, Daurio Sperazini Junior. As suspeitas principais contra ele se referem ao período em que trabalhou na Philips do Brasil, até 2010.

Em nota, a GE ressaltou que a prisão de Daurio Speranzini Jr. ocorreu em meio a alegações que se referem a um “período em que o executivo trabalhou para uma companhia sem relação com a GE”. “A empresa reforça que está profundamente comprometida com integridade, conformidade e o estado de direito em todos os países em que opera, assim acredita que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação”, disse a companhia.

 

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