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Vice de Ciro Gomes, Kátia Abreu foi de líder do agronegócio a defensora de Dilma no impeachment

Kátia pede que o procurador seja alvo de uma “remoção por interesse público”. (Foto: Roque de Sá/ Agência Senado)

Duas eleições presidenciais separam a Kátia Abreu vencedora da láurea irônica Motosserra de Ouro, concedida a ela pelo Greenpeace em 2010, à Kátia Abreu, a mais provável candidata à vice-presidência na chapa de Ciro Gomes (PDT). Nesses oito anos, a senadora de 56 anos passou por três partidos (DEM, PSD e MDB) até filiar-se ao PDT, em abril deste ano, para disputar a eleição suplementar ao governo do Tocantins, seu Estado. Não chegou ao segundo turno.

O PDT deve oficializar nesta segunda-feira a escolha da senadora como candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes. Ela aceitou neste domingo convite feito pelo comitê de campanha para concorrer ao cargo.

Pecuarista, Kátia Abreu presidiu a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e chegou ao Senado em 2006, sendo reeleita em 2014. No ano seguinte, assumiu o Ministério da Agricultura no segundo mandato de Dilma Rousseff (PT), já no MDB.

Quando assumiu como ministra do governo Dilma, Kátia Abreu recebia críticas constantes da esquerda. Seu discurso favorável a transgênicos e agrotóxicos incomodava diversos setores.
Dona de uma fazenda de soja e de gado no Tocantins, ela nunca escondeu suas posições contra a demarcação e o assentamento de terras.

A senadora se tornou uma das amigas mais próximas de Dilma e uma de suas principais defensoras durante o processo de impeachment. Quando o MDB do então vice-presidente Michel Temer desembarcou do governo, ela se recusou a deixar o ministério.

Acabou sendo expulsa do partido em 2017, por suas críticas à sigla e ao governo Temer. Em 2015, Kátia Abreu jogou vinho na cara de José Serra (PSDB), colega de Senado e ex-aliado político – em 2010, cogitou-se que ela seria sua candidata a vice na eleição presidencial, contra Dilma. Ela chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto para a eleição suplementar do Tocantins, em 2 de junho. No entanto, ficou de fora do segundo turno do pleito, que acabou elegendo o governador interino Mauro Carlesse (PHS).

O resultado desanimou a pedetista. A senadora chegou a dizer ao jornal Folha de S.Paulo que não sabia se voltaria a disputar o cargo em outubro. Apontou dificuldade de conseguir recursos, com a proibição de doações empresariais, para competir com a máquina estatal.

Kátia Abreu foi citada em delação da Odebrecht, na Operação Lava-Jato. Executivos da empreiteira disseram ter repassado R$ 500 mil para sua campanha em 2014 em caixa dois eleitoral, o que nega. A senadora não foi indiciada.

 

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