Após a presidenta Dilma Rousseff ter dito ver nas especulações sobre sua saída do governo a atuação de uma “certa oposição um tanto golpista”, o vice Michel Temer fez um discurso pela unidade nacional e falou que adversários existem “também para ajudar a governar”. Temer abandonará até agosto a função de organizar a distribuição de cargos a aliados na administração federal, tarefa assumida para apaziguar os ânimos do governo no Congresso. A ideia é que, depois disso, ele possa se dedicar à tarefa de uma “articulação mais elevada”, conduzindo as conversas do Planalto com o Congresso, governadores, prefeitos e setores do Judiciário.
“Temos que fazer uma grande unidade nacional. Mais do que nunca, é necessário o pensamento conjugado dos vários setores da nacionalidade, portanto dos vários partidos políticos, para que caminhemos juntos em benefício do Brasil”, afirmou o peemedebista, em Brasília. O vice-presidente é visto por setores da oposição, especialmente no PSDB, como uma peça-chave para o desfecho do destino de Dilma. A ala paulista do tucanato acredita que, no caso de um afastamento da petista, formar uma coalizão em torno de Temer pode ser a saída “menos traumática” para o País.
Os principais interlocutores do vice-presidente afirmam que a mudança não significa uma saída de Temer da articulação política. “É bom para o governo e bom para o Brasil que ele possa se dedicar a essa articulação mais elevada. O Temer é um conciliador por natureza”, destacou o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, também do PMDB. (Folhapress)
