Com receio de novas interferências do Palácio do Planalto e do PMDB do Senado, o vice-presidente da República, Michel Temer, pretende centralizar na executiva nacional do partido a escolha do nome para suceder Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados.
O objetivo é blindar a bancada de deputados da sigla, dar à cúpula do partido o controle do processo e impedir ao presidente da Câmara de emplacar um aliado como sucessor. A iniciativa também ajudaria a desmobilizar movimento do Planalto para colocar no posto um peemedebista governista que ficasse à frente da tramitação do processo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
O argumento de aliados de Temer é que a bancada do partido está rachada e que, assim como na disputa da liderança da legenda na Câmara, uma interferência da executiva evitaria que a crise interna se aprofundasse.
Como retaliação a Temer, Dilma e a bancada de senadores do PMDB restituíram na quinta-feira o deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) à liderança da legenda na Casa. Eles reverteram o apoio de sete deputados que garantiram a entrada de Leonardo Quintão (PMDB-MG), aliado do vice, no comando da bancada. O movimento causou irritação na cúpula do partido e ocorre no momento em que o PMDB no Senado se articula para retirar Temer da presidência da sigla na convenção nacional da legenda.
Vice-presidente quer definir sucessor de Eduardo Cunha

Temer, que precisa reconstruir a sustentação política ao Planalto, chegou a ensaiar um recuo no propósito de eliminar pastas (Foto: Reprodução)