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Vírus zika simplifica o cérebro

Crianças que sobrevivem às lesões apresentam diferentes graus de deficiência. (Foto: Sumaia Villela/Agência Brasil)

O fim da dúvida sobre a culpa do zika em relação a distúrbios neurológicos em bebês não diminuiu as incertezas sobre a evolução da doença. Ainda há poucos instrumentos para analisar os fetos, por exemplo. Um grupo de pesquisadores de Recife, porém, identificou características específicas de cérebros atacados pelo vírus, um estudo que acena com a possibilidade de facilitar o diagnóstico por imagem.

As características da microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central foram analisadas no maior e mais detalhado estudo de imagens cerebrais em casos de zika. Publicado no respeitado British Medical Journal, o trabalho descreve como o vírus provoca o que a medicina chama de “simplificação do cérebro”.

A infecção devasta de tal forma o cérebro do feto, que cessa o desenvolvimento e não são formadas características como sulcos e giros. O órgão doente também fica atrofiado e, às vezes, totalmente liso. As deformidades causam perda de funções essenciais. Crianças que sobrevivem às lesões apresentam diferentes graus de deficiência de cognição, visão, audição, fala e motricidade.

“Pela primeira vez, pudemos encontrar padrões capazes de distinguir as anomalias relacionadas ao zika daquelas provocadas por outras infecções congênitas, como citomegalovírus e toxoplasmose. Isso é importante para a compreensão da doença”, diz a principal autora do estudo, Maria de Fátima Vasco Aragão, neurorradiologista e professora de radiologia da Universidade Maurício de Nassau, em Recife (PE). As pesquisadoras investigaram 23 bebês nascidos em Pernambuco, entre julho e dezembro. (AG)

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