A vitória, no domingo, de Mauricio Macri nas eleições para a presidência da Argentina põe fim a 12 anos conhecidos como Era Kirchner, um período em que o país se transformou em uma espécie de paraíso da heterodoxia econômica, misturada ao populismo típico dos peronistas, à progressiva irrelevância no cenário internacional e a tentativas frequentes – nem sempre bem-sucedidas – de controlar o Judiciário e a imprensa. Trata-se, também, de um baque para a esquerda latino-americana, acostumada a ídolos populistas e a ver os “hermanos” como aliados no combate ao “imperialismo ianque”.
Os argentinos estão anos adiante do Brasil no caminho da bancarrota. Basta lembrar que a Argentina vive há mais de dez anos na tal “nova matriz econômica”, aquela que preconiza mais gastos públicos para fazer a economia crescer, foi implantada no primeiro governo Dilma e é defendida até hoje pelos economistas heterodoxos.
Com a eleição de Macri, a Argentina deverá adotar um alfabeto mais plural. Ele é o primeiro presidente não oriundo nem da ala peronista nem da radical, que dominam o país há décadas. Sua chapa, a Cambiemos, foi eleita com base em uma plataforma de tons liberais, contrária ao controle do comércio ou dos capitais. Deverá promover mudanças pró-mercado, como o fim do controle cambial. Mas a principal mudança deverá ser a adoção de uma postura mais institucional diante da imprensa e do Poder Judiciário, já que ele não tem o perfil bolivariano do casal Kirchner. (Helio Gurovitz/AG)
