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Viúvas do acidente da Chapecoence reclamam de abandono

Viúvas em entrevista em São Paulo. (Foto: Reuters)

As famílias dos mortos no acidente aéreo envolvendo o time da Chapecoense estão apelando por justiça e reparações e disseram em entrevistas nesta quarta-feira (30) que se sentem “abandonadas” pelo clube e companhias de mídia.

No mesmo dia em que jogadores da Chapecoense se encontraram com o papa em Roma, representantes da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo da Chapecoense disseram à Reuters que mais coisas precisam ser feitas para ajudá-los financeiramente e psicologicamente.

Eles também exigem respostas às perguntas sobre a responsabilidade pelo acidente.

“Não foi uma tragédia, foi uma tragédia anunciada”, disse Fabienne Belle, cujo marido César Martins era fisiologista do clube. “A Chapecoense e as companhias precisam assumir responsabilidade institucional diante das vidas que eles não zelaram.”

Setenta e um passageiros e tripulantes morreram quando um avião que levava a equipe da Chapecoense caiu na Colômbia no final de novembro, quando o time disputaria a final da Copa Sul-Americana, em Medellín.

Autoridades da aviação da Colômbia descobriram que a companhia aérea boliviana LaMia havia economizado combustível, fazendo com que o avião colidisse contra uma montanha antes de chegar ao aeroporto.

O chefe-executivo da companhia aérea, que foi preso e aguarda julgamento por homicídio culposo, nega as acusações. O co-proprietário da companhia era o piloto do avião e morreu na queda.

Uma das principais queixas da associação é que o clube insistiu em contratar a LaMia mesmo após os métodos da companhia terem sido questionados pelos jogadores.

Em uma viagem à Barranquilla, na Colômbia, para uma fase anterior do campeonato, a equipe foi levada da fronteira boliviana para o aeroporto em uma van que não possuía portas, disse Belle. A equipe chegou 22 horas após o planejado, o que deveria ter feito com que o clube tomasse maior cuidado com seus funcionários, dizem as viúvas.

“O que aconteceu antes determinou o que aconteceu naquela noite”, afirmou Belle, presidente da associação, em entrevista em São Paulo. “A Chapecoense fez isto antes em muitas viagens. Havia uma falta de supervisão. Uma de nossas preocupações é educacional, para garantir que isto não aconteça novamente.”

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