Escrever faz parte da vida da gaúcha Denise Campos desde a adolescência. A orientadora do Senac (Serviço Social do Comércio) Comunidade em Porto Alegre encontrou na literatura uma forma de ampliar o trabalho que desenvolve diariamente em sala de aula. Para ela, que convive com a perda auditiva, a escrita é uma ferramenta essencial para comunicar ideias, compartilhar experiências e promover a inclusão.
Há 14 anos atuando com turmas de inclusão, ele conta que a experiência profissional se tornou a principal fonte de inspiração para sua produção literária: “Ao longo dos anos, aprendi que cada indivíduo carrega uma história única, repleta de desafios, superações e conquistas. Essas vivências despertam em mim o desejo de transformar experiências reais em poemas, contos e reflexões”.
A condição de pessoa com deficiência ampliou seu olhar sobre acessibilidade, inclusão e respeito às diferenças e passou a influenciar tanto sua atuação quanto a sua escrita: “Essa vivência fortaleceu meu compromisso com a educação inclusiva e com a defesa dos direitos das pessoas com deficiência. Em meu trabalho, procuro desenvolver estratégias, adaptar materiais e criar jogos e atividades que favoreçam a aprendizagem e a participação de todos os estudantes”.
Trajetória
Sua escrita é marcada pelo estilo autobiográfico e com forte compromisso social. “Minha experiência como pessoa com deficiência faz parte da minha história e de quem sou hoje. Descobri a perda auditiva na vida adulta, o que exigiu um processo de adaptação e de busca por novos conhecimentos”, explica.
Denise – que já participou de concursos literários e teve textos publicados em coletâneas com outros autores – lançou em junho o livro “Poesias da Alma”, sobre amor, saudade, esperança, superação e descobertas. Mais que uma coletânea de versos, o livro convida o leitor a refletir sobre sentimentos que fazem parte da experiência humana:
“Acredito que a literatura tem o poder de sensibilizar, inspirar e transformar vidas. Por isso, procuro criar textos que promovam reflexão, acolhimento e conscientização, mostrando que cada pessoa tem uma história única e merece ser respeitada e valorizada”.
Para a orientadora, tanto a sala de aula quanto a literatura têm o propósito de criar espaços de acolhimento, ampliar o diálogo sobre inclusão e incentivar cada pessoa a reconhecer o próprio potencial. Ao transformar experiências em palavras, Denise busca contribuir para uma sociedade mais empática, acessível e consciente da importância de valorizar as diferenças:
“Minha história demonstra que os desafios podem ser transformados em aprendizado, inspiração e oportunidades para promover uma sociedade mais acolhedora e acessível”.
(Marcello Campos)
