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“Voltar para Gaza? É difícil, porque quase não tem mais Gaza”, diz Shahed, uma das 32 pessoas repatriadas

O presidente na recepção aos resgatados de Gaza, ao lado de Shahed Al-Banna e de sua irmã Shams. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A jovem brasileira Shahed Al-Banna, de 18 anos, chegou ao Brasil nesta segunda-feira (13) com um grupo de 32 repatriados resgatados na Faixa de Gaza. Em entrevista à GloboNews, Shahed disse não ver perspectiva de volta para a Gaza: “Voltar para Gaza? É difícil, porque quase não tem mais Gaza”.

“Não tem futuro mais naquele país. Antes da guerra, a Faixa de gaza era um lugar bem bonito, parece a Europa, muito lindo. Só que agora, infelizmente, está tudo destruído. Minha casa mesmo já foi bombardeada. Eu vou voltar pra onde? Não tem lugar”, afirmou Shahed.

“Vou ficar no Brasil, já estava tentando voltar para o Brasil antes da guerra, mas tive alguns problemas. Vou continuar minha vida aqui”, acrescentou a jovem.

O grupo foi recebido por autoridades brasileiras, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em declaração à imprensa, Shahed contou que morava em São Paulo, mas teve que ir para a Faixa de Gaza porque a mãe ficou doente e queria se despedir da família. Ela disse, ainda, que morou na região do conflito durante um ano e meio.

Shahed Al-Banna é uma das brasileiras que fez relatos da situação na Faixa de Gaza desde o início da guerra entre Hamas e Israel. No mês passado, em entrevista à GloboNews, ela relatou que brasileiros e palestinos que se abrigavam em uma escola de Gaza tinham sido orientados a deixar o local com urgência.

“Nasci na Faixa de Gaza e eu tenho muitas memórias de lá. Muitas memórias com a minha mãe, com a minha família. Eu gostava muito da praia e da casa da minha avó também. É um lugar a família se juntava, temos muita memória lá”, disse a jovem.

Entre os 32 repatriados, além de 22 cidadãos brasileiros (natos ou naturalizados), há 10 palestinos – três parentes de primeiro grau de brasileiros, e sete portadores do Registro Nacional de Migração (RNM) que devem receber status de refugiados. Eles estavam no Sul da Faixa de Gaza, nas cidades de Khan Younis e Rafah.

No primeiro dia no Brasil, depois de mais de 30 dias de espera pela saída de uma Faixa de Gaza sob bombardeios constantes de Israel, o grupo de 32 repatriados passou por consultas médicas, tomou vacinas, recebeu atendimento com psicólogos e regularizou documentos. Os atendimentos ocorreram no alojamento da Base Aérea de Brasília, onde estão hospedados.

De acordo com o diretor do Departamento de Atenção Hospitalar, Domiciliar e de Urgência (Dahu) do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior, ninguém precisou de internação e, após as consultas, todos receberam alta, inclusive as crianças. Na segunda-feira (13), foi divulgada a informação de que duas crianças estavam com quadro de desnutrição. Nilton Júnior informou que elas foram avaliadas por pediatras e não foi constatado desnutrição ou desidratação. As informações são do portal de notícias G1 e da Agência Brasil.

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