O banqueiro Daniel Vorcaro emprestou um apartamento em São Paulo durante um período de três meses para a atual companheira do senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo o advogado do parlamentar, Antonio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay.
Segundo o advogado, a cessão do imóvel ocorreu de forma temporária. “Quando a atual companheira do Ciro se separou, o Vorcaro emprestou um apartamento dele em SP por uns 3 meses para ela morar”, afirmou.
O senador foi alvo na quinta-feira (7) da operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga supostas fraudes do banco Master e relações de seu dono, Vorcaro, com autoridades da República.
Ciro Nogueira é um dos principais líderes do Centrão e presidiu a Casa Civil no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Atualmente, é uma das vozes mais influentes do PP no Senado, sendo presidente do partido.
Segundo decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Ciro Nogueira recebia pagamentos mensais de R$ 300 mil feitos por Vorcaro, o que a defesa do senador nega.
Outro indício envolvendo Ciro Nogueira trata de uma emenda apresentada por ele no Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que, segundo a apuração, foi redigida dentro do Banco Master. De acordo com a PF, o texto foi elaborado pela assessoria da instituição financeira, encaminhado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em um envelope destinado a “Ciro” no endereço residencial do parlamentar.
A emenda citada pela PF ampliava a cobertura do FGC a investidores de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A garantia do fundo era uma das principais estratégias de negócio do Master para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A PF identificou mensagem em que Vorcaro comemora a emenda apresentada por Ciro Nogueira: “Saiu exatamente como mandei”.
Em declaração dada após a ação da PF, Kakay disse estar “perplexo” com a decisão judicial que autorizou buscas contra o senador e afirmou que, até o momento, a defesa só teve acesso à decisão do ministro relator.
“Fica esse registro de uma certa perplexidade de já ter uma medida invasiva, como medida cautelar, com base tão somente, até onde podemos ver, naquilo que constava no celular de terceiros”, afirmou.
O advogado também negou que Ciro recebesse os valores citados na investigação. “Ele certamente não recebia nenhuma mesada, nem esse valor”, disse Kakay ao ser questionado sobre os supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil.
Sobre a relação entre o senador e Vorcaro, Kakay afirmou que os dois mantinham contato institucional e pessoal compatível com os cargos que ocupam e disse ser “natural” a relação entre um “grande banqueiro na época” e um senador.
A defesa também rebateu a suspeita de que empresas ligadas à família do senador teriam sido usadas para operacionalizar os repasses investigados. Segundo Kakay, trata-se de uma empresa “antiguíssima” e de família e que “não foi criada para nenhum repasse”. (Com informações do jornal O Globo)
