Após mais de 16 horas de negociação em Bruxelas (Bélgica) nessa segunda-feira, líderes da zona do euro chegaram a um acordo para iniciar as negociações de um terceiro pacote de empréstimos com duração de três anos, que permitiria à Grécia permanecer na zona. A necessidade de ajuda financeira do país está entre 82 bilhões de euros e 86 bilhões de euros (cerca de 341 bilhões de reais), que seriam concedidos pelo MEE (Mecanismo Europeu de Estabilidade), segundo documento da Comissão Europeia a respeito da decisão.
Além dessa quantia, a comissão se compromete a trabalhar pela mobilização de até 35 bilhões de euros via programas da União Europeia para financiar investimentos na Grécia. Para que as negociações avancem, o país deverá implementar uma série de reformas. Parte delas precisa ser aprovadas pelo Parlamento grego até esta quarta-feira. Caso aprovada, a negociação do acordo deve ser debatida pelo Parlamento alemão, segundo o presidente da instituição, Norbert Lammert.
Dentre os pontos está também um novo fundo de 50 bilhões de euros, que seria criado a partir da privatização de ativos gregos. Metade desse valor servirá para o pagamento e recapitalização dos bancos, 25% para a quitação da dívida e os outros 25% para investimentos. Também estão previstos aumento e simplificação de impostos, reforma no sistema de pensão, relaxamento a restrições ao comércio aos domingos e “modernização” das leis de negociação e demissão coletivas.
Líderes
Em entrevista coletiva, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou que “acertamos, em princípio, que estamos preparados para começar as negociações para levar um programa ao MEE, o que em outras palavras significa continuar o apoio à Grécia”. Quando questionado se não seriam “leoninas” as condições do acordo para Atenas, o presidente francês François Hollande afirmou que o acordo foi justo e destacou a perspectiva de concessão de 80 bilhões de euros e “o programa de investimentos de 35 bilhões de euros”.
No dia 20, os gregos têm que pagar 4,2 bilhões de euros em juros para o Banco Central Europeu. “Enfrentamos dilemas e tivemos que fazer concessões difíceis para evitar a aplicação dos planos de alguns círculos ultraconservadores europeus”, declarou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras.
Para a chanceler alemã, Angela Merkel, o acordo “está em linha com os programas que acertamos com outros países. Enda Keny [Irlanda], Passos Coelho [Portugal] e Mariano Rajoy [Espanha] falaram muito de seus programas e que este não era nada especial, com exceção dos valores envolvidos”. Ela afirmou que recomendará ao Parlamento de seu país que autorize as negociações assim que a Grécia aprovar o pacote e promulgar as leis.
