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A China censura HIV e as cenas gays na cinebiografia de Freddie Mercury

Rami Malek, o autor que interpreta Freddie Mercury, também foi censurado. (Foto: Reprodução)

“Bohemian Rhapsody”, a cinebiografia do Queen, foi criticado por algumas audiências e críticos ocidentais por minimizar a importância dos relacionamentos de Freddie Mercury com homens. Mas, na versão do filme que está em cartaz na China, as referências à sexualidade do cantor foram removidas completamente.

Esses buracos na trama irritaram uma geração de jovens cinéfilos que são em geral mais progressistas do que os censores do país.

A versão censurada do filme, lançada na China no final de semana passado, é apenas cerca de três minutos mais curta que o original. Mas omite uma cena crucial em que Mercury diz à noiva que não é heterossexual, e a cena em que seu amante, Jim Hutton, aparece pela primeira vez.

Uma cena comemorativa na qual os integrantes da banda aparecem vestidos de mulher também foi cortada da versão chinesa.

Essas mudanças não passaram despercebidas pela audiência chinesa, e muita gente notou que havia algo de errado ao assistir ao filme.

Sun Jing, 26 anos, que trabalha em um escritório e viu o filme com amigos no sábado, em Xangai, disse que a música e trama não demoraram a envolvê-la, mas reparou que certos aspectos da história foram deixados sem solução, e percebeu diversos momentos nos quais as legendas não transmitiam exatamente o que os personagens estavam dizendo.

O caso mais escancarado de censura, ela disse, acontece na cena em que o cantor do Queen conta aos demais membros da banda que está com Aids. O diálogo foi abruptamente silenciado, naquele ponto do filme censurado, e a cena não tem legendas.

“Já que estou assistindo a um filme biográfico, quero ver uma pessoa autêntica”, disse Sun. “O conteúdo da vida dele não deveria ser removido sem explicações.”

Lu Zhan, 22 anos, vive em Pequim e esperava que o filme mostrasse a uma audiência chinesa mais ampla o poder da música ao vivo, e considera as omissões enganosas e um desrespeito aos fãs.

“Quanto às questões LGBT, eles enganaram completamente o público”, ela disse sobre os censores, acrescentando que a decisão de transmitir uma versão “saneada” do filme desencorajaria os gays da China.

Rami Malek, o autor que interpreta Freddie Mercury, também foi censurado em uma plataforma de streaming chinesa que transmitiu seu discurso depois de conquistar o Oscar como melhor ator, no mês passado.

Quando ele declarou, no discurso, que “fizemos um filme sobre um homem gay, um imigrante, que viveu sua vida sem pedir desculpas a ninguém e sem ocultar quem era”, a plataforma Mango TV substituiu “homem gay” por “grupo especial” nas legendas.

Essas mudanças não passaram despercebidas pela audiência chinesa, e muita gente notou que havia algo de errado ao assistir ao filme.

Sun Jing, 26 anos, que trabalha em um escritório e viu o filme com amigos no sábado, em Xangai, disse que a música e trama não demoraram a envolvê-la, mas reparou que certos aspectos da história foram deixados sem solução, e percebeu diversos momentos nos quais as legendas não transmitiam exatamente o que os personagens estavam dizendo.

O caso mais escancarado de censura, ela disse, acontece na cena em que o cantor do Queen conta aos demais membros da banda que está com Aids. O diálogo foi abruptamente silenciado, naquele ponto do filme censurado, e a cena não tem legendas.

Perguntado sobre os motivos para a remoção do conteúdo gay na versão chinesa de “Bohemian Rhapsody”, um porta-voz do estúdio 20th Century Fox, que produziu o filme, declarou em email que o estúdio não tinha comentários.

As pessoas que desejam saber o que está faltando recorreram à internet, onde compilações mostram as cenas censuradas e atraem atenção adicional aos trechos que os censores buscaram suprimir.

E a exibição de filmes censurados surge em um momento no qual a defesa dos direitos dos gays vem ganhando força na China.

“Creio que muita gente está acostumada a evitar certos tópicos, especialmente se eles não afetam suas vidas”, disse Yang Zhiyuan, 22 anos, estudante de mídia e artes digitais em Pequim. “Mas quando essas coisas se tornam assunto de conversa, as pessoas se verão compelidas a pensar sobre elas”.

No entanto, alguns espectadores chineses dizem que não pretendem assistir a uma versão alterada do filme.

“Por princípio, me recuso a assistir a esse tipo de filme que passa por censura bruta”, disse Li Yang, 24 anos, jornalista de moda em Pequim, que decidiu que não assistiria a “Bohemian Rhapsody” depois que amigos lhe disseram que os cortes abruptos prejudicavam o apreciação do filme.

Sun, que disse que desconhecia o Queen antes de assistir ao filme, acrescentou que sua esperança inicial era a de compreender Freddie Mercury como um personagem pleno.

“Como uma jovem que pensa de modo independente”, ela disse, “não preciso que alguém controle que cenas posso e que cenas não posso ver”.

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