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As piores alternativas

Não tivemos sorte. Para um vasto contingente do eleitorado sobraram, no segundo turno, as duas piores alternativas. (Foto: Reprodução)

Não tivemos sorte. Para um vasto contingente do eleitorado – o colunista incluso – sobraram, no segundo turno, as duas piores alternativas.

Bolsonaro é um político do segundo time, do baixo clero, nunca liderou nem mesmo um dos muitos grupelhos que circulam no Parlamento. Nunca presidiu uma comissão, ou foi sequer líder de bancada dos partidos a que esteve filiado. Outsider, isolado dos seus pares, discurso ralo, não se sabe de ninguém que, no Congresso, ele tenha influenciado.

O candidato do PSL, partido que deixou de ser nanico, é um homem rude, impetuoso, mal-educado, inculto, e que, para se expressar, é pouca coisa melhor do que Dilma Rousseff. Nada no candidato dá esperança de que ele seja um presidente do qual a gente possa se orgulhar.

De direita? Quem dera. Ao menos seria uma posição. Mas de que modo ele é de direita, se os seus votos, no Parlamento, são praticamente idênticos aos do PT? Plano real, privatizações, Previdência, em geral onde há um voto de Bolsonaro há um voto do PT.

Dizem que ele agora corrigiu a rota, e o Ministério da Fazenda será ocupado pelo economista liberal Paulo Guedes. Ou seja, Bolsonaro se transformou em um liberal. Dá para acreditar em conversões assim de última hora, confiar em tal (falta de) firmeza?

O outro, Fernando Haddad, se dispôs diligentemente a representar, até bem pouco tempo, a farsa da candidatura de Lula. Haddad é um alter ego, um boneco de ventríloquo.

Fosse ele só, talvez desse para engolir. Mas, céus, o homem é do PT, com a sua vasta folha de desserviços prestadas ao País. Ou não foi o PT o partido do mensalão, do petrolão? Ou o maior líder do partido não está atrás das grades, e pelo delito comum de corrupção? Ou não estava o PT no pano de fundo da calamidade que foi o governo Dilma Rousseff?

Ou não foi o mesmo Lula que antes, havia ungido Dilma para ocupar a Presidência da República, e agora, do fundo da cadeia, faz a mesma coisa com Haddad? Por que daria certo um outro poste?

Haddad, há poucos dias prometeu fazer, na Presidência, uma reforma tributária, porque os pobres pagam mais impostos do que os ricos. Ótimo. Mas por que o PT, Lula e Dilma, não aproveitaram os 13 anos de poder para dar uma solução justa à distorção? Como acreditar em um sujeito desse?

Tudo está claro e previsto. Ganhando Bolsonaro, ele não terá sossego. Enfrentará, como sempre, mais do que a oposição, a fúria da esquerda, das centrais sindicais, das corporações de servidores públicos. Vencendo Haddad, será alvo noite e dia das massas indignadas (e sem rumo) da antipolítica, do antipetismo, que descobriram em Bolsonaro a revelação, a luz.

O Brasil está necessitando, como nunca, de um tempo de paz, uma trégua da guerrilha dos grupos militantes, das redes sociais. Mas, ao invés, o conflito se agudizará, com desdobramentos imprevisíveis. Teremos, então, um período ainda mais ruinoso da política, feito de linguagem de baixa extração, de acusações rasteiras, de clichês agastados, de ofensas gratuitas, de intolerância e ódio. Pode vencer qualquer um, o Brasil sairá perdendo. Deus, faz tempo, não dá nenhum sinal de que é brasileiro.

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