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Ativistas criticam a Bayer porque no Brasil ela vende agrotóxicos proibidos na União Europeia

De 2016 para 2019, houve um aumento de 50% no número de agrotóxicos vendidos no Brasil que são proibidos na União Europeia. (Foto: Reprodução)

Passado quase um ano da conclusão da aquisição da Monsanto pela Bayer, um grupo de associações e ativistas lançou na quinta-feira (25) o estudo “Um ano Bayer-Monsanto: um balanço crítico”, questionando as práticas da multinacional alemã em diversas partes do mundo. As informações são da emissora internacional de notícias da Alemanha Deutsche Welle.

Das dez páginas do relatório, duas delas se referem ao Brasil, e o principal dado divulgado é que, de 2016 para 2019, houve um aumento de 50% no número de agrotóxicos vendidos no Brasil que são proibidos na União Europeia (UE). Um levantamento de 2016 apontou que eram oito produtos e, agora, três anos depois, são 12.

O estudo foi realizado em parceria pela rede de desenvolvimento alemã Inkota, a ONG católica de ajuda ao desenvolvimento Misereor e a rede de ativistas Associação de Acionistas Críticos na Alemanha.

Após a compra da Monsanto, a Bayer se tornou a líder mundial no mercado de sementes, fertilizantes e pesticidas, e o Brasil é o segundo maior mercado para a divisão agrícola da empresa.

“O Brasil é o mercado do futuro para os agrotóxicos. Os Estados Unidos já parecem ter atingido seu limite de liberações [de agrotóxicos], e a sociedade da União Europeia não está disposta a tolerar mais agrotóxicos. Países como China e Índia também já estão mais conscientes. No Brasil, porém, a sociedade em geral não parece fazer tanta pressão”, afirma Christian Russau, da direção da associação de acionistas críticos.

“E o Brasil ainda tem um governo de extrema direita despreocupado com o meio ambiente e uma bancada ruralista muito forte, que pressiona o governo para conseguir cada vez mais liberações”, diz.

O estudo sobre a Bayer foi lançado às vésperas da reunião anual de acionistas da multinacional, que ocorreu nesta sexta-feira (26) em Bonn, na Alemanha. O evento foi uma oportunidade para os ativistas apresentarem os dados compilados e questionarem a empresa sobre a venda no Brasil de agrotóxicos proibidos na Europa.

De acordo com a lei alemã, todos os acionistas têm direito de comparecer à reunião anual e fazer questionamentos, não importando o número de ações que detenham. Se o acionista não pode ou não deseja comparecer, é permitido que ele indique um representante.

A Associação de Acionistas Críticos mobiliza-se para comprar ações de várias empresas alemãs de capital aberto – como Bayer, BASF, Siemens e Deutsche Bank – e as gerencia para que ativistas possam participar das assembleias gerais e questionar as grandes corporações.

Desde 1986, a associação pressiona companhias por mais transparência, respeito aos direitos trabalhistas e humanos, fim da produção de armamento e proteção ambiental.

O brasileiro Alan Tygel, da coordenação da Campanha Permanente contra Agrotóxicos e Pela Vida, foi um dos ativistas que participou da reunião desta sexta-feira como representante da associação.

“As grandes corporações da área agrícola acabam focando países com regulações mais permissivas, como Brasil, Paraguai e Argentina. A Bayer é uma empresa privada que visa o lucro. Não esperamos que uma mudança parta dela, mas tentamos, sim, pressionar o governo para que se façam as regulações necessárias para que a saúde da população seja garantida”, afirma Tygel.

Para ele, em países como o Brasil as megacorporações em países têm maior poder de lobby com o governo, mais capacidade de investimento em propagandas e em pesquisas que as apoiem e a possibilidade de impor a venda de pacotes conjuntos de tecnologias – por exemplo, a comercialização de uma semente que exige o uso de um determinado agrotóxico vendido pela mesma empresa.

“No Brasil, com a união entre a Bayer e a Monsanto, mais de 50% das sementes transgênicas vêm da mesma empresa”, pontua.

No relatório, os ativistas chamam a atenção para um dado alarmante divulgado pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) em 2015. Naquele ano, estimou-se que cada pessoa no Brasil “consumiu” cerca de 7,3 litros de agrotóxicos por ano, ao dividir-se a quantidade de químicos vendida pelo número de habitantes do país.

A velocidade de liberação de agrotóxicos no Brasil é outro destaque do estudo, que aponta que, somente nos primeiros 42 primeiros dias do governo de Jair Bolsonaro foram liberados 57 novos registros. Outra preocupação dos ativistas é quanto aos níveis de tolerância de resíduos, que são muito maiores no Brasil do que na União Europeia.

Em resposta a críticas de ativistas e organizações, incluindo o estudo da Inkota, Misereor e da Associação dos Acionistas Críticos, a Bayer afirma que comercializa mundo afora, “inclusive em economias emergentes e em países em desenvolvimento”, apenas produtos fitofarmacêuticos que estão registrados em pelo menos um país da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Além disso, a empresa diz que os produtos da empresa no Brasil e em todos os países onde atua atendem aos requisitos regulatórios de cada governo.

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