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Com o preço da soja em baixa, Brasil pode ter crise de armazenamento

“O Brasil tem um riquíssimo setor de agronegócio e levar tecnologia e inovação para este segmento é de extremo ganho para o sistema produtivo das empresas e da população. Estamos trabalhando fortemente para que o conceito de Agricultura 4.0 se torne uma realidade em diversas regiões do país”, diz Paulo Humberto Gouvêa, Diretor de Top Clients Solutions da TIM Brasil.(Foto: Banco de Dados)

Os agricultores brasileiros estão ficando sem espaço para armazenar os grãos de soja que não foram vendidos. Como os preços do produto caíram 28% em relação ao ano passado, os agricultores, em vez de vender, estão armazenando a soja onde podem, à espera da melhora da cotação.

Os estoques domésticos estão perto de um recorde depois da maior colheita da história do País, segundo a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais ). E, com uma safra recorde de milho próxima de sair do campo, há o risco de uma crise de armazenamento no País.

“Os armazéns ainda estão cheios de soja e os agricultores estão prestes a começar colher o milho safrinha”, afirmou Nelson Antonini, produtor que integra uma cooperativa com 800 membros em Naviraí (MS). “Já estamos enfrentando problemas de armazenagem”, disse

Até agora os integrantes da cooperativa venderam 50% da produção de soja – a média para esse período costuma ser 80%, diz Antonini. Como os estoques locais só conseguem armazenar 40% e uma safra de milho está por vir, os produtores tiraram 42 mil toneladas de soja dos armazéns e colocaram em “silo bags” (grandes sacolas de plástico que podem armazenar cerca de 180 toneladas).

Isso acontece em parte porque os preços em queda têm desencorajado as vendas, forçando os agricultores a segurar a produção por mais tempo. Em Mato Grosso (principal produtor de soja do País), o preço da saca de 60 quilos caiu 28% em relação a 2016, de acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O caso do milho é ainda pior. A cotação recuou 52%, e a saca está valendo R$ 11,08 em Sorriso (MT), abaixo do preço mínimo estabelecido pelo governo, R$ 16,50. “Se os produtores tiverem que escolher entre armazenar milho ou soja, provavelmente vão priorizar a venda do milho”, diz Luiz Fernando Roque, analista da consultoria Safras & Mercado. “Os agricultores não querem vender pelo preço atual.”

Safra

Se a safra 2015/2016 foi extremamente penalizada pelo El Niño, o ciclo que se encerrou oficialmente no dia 30 de junho encontrou um “clima quase perfeito” para o desenvolvimento das culturas de soja, milho e algodão. E a alta produtividade decorrente desse cenário favorável deve ter se traduzido em aumento de receitas no segundo trimestre, de acordo com analistas.

Dentre as culturas, o algodão, com cotações mais altas que no ciclo anterior, destaca-se e deve ter sido responsável pelo aumento da rentabilidade das grandes produtoras no período. A desvalorização do real em relação ao dólar – reflexo da crise política no País – também deve ter beneficiado essas empresas. Embora a cotação do dólar já tenha voltado para mais perto do patamar pré-crise, a alta de 8% em apenas em um dia (18 de maio, após o vazamento das informações da JBS) foi uma oportunidade para as empresas fixarem vendas do ciclo 2017/18.