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Conhecido agora como “japonês bonzinho”, o policial mais famoso da Operação Lava-Jato vira sucesso musical e alvo de selfies por todo lugar onde passa

Newton Ishii ficou conhecido como o executor das prisões da Operação Lava-Jato. Crédito: Reprodução

Desde que virou tema de uma marchinha de Carnaval, o agente da PF (Polícia Federal) Newton Ishii, 60 anos, ou “japonês bonzinho”, como passou a ser chamado nas ruas, é tratado como celebridade. Recentemente, ele precisou de ajuda de seguranças para ir embora de um evento de uma rádio de Curitiba, no Paraná. No tempo que ficou no local, foi requisitado para tirar mais de uma centena de selfies. Também passou a ganhar ingresso para shows, foi procurado para ser homenageado pela cidade onde nasceu e teve convite para participar de um programa de TV.

Amigos e colegas começaram a ligar para perguntar quando ele trocará a polícia pela política. Sindicatos sondaram o interesse dele pelos palanques e, até mesmo, a possibilidade de Ishii se lançar candidato em 2016. A pessoas próximas, Ishii diz que, por enquanto, não pensa na possibilidade e evita mostrar tendências a qualquer partido. Mas mesmo antes do verso “Ai, meu Deus, me dei mal, bateu a minha porta o japonês da federal” ser ouvido por mais de 2,5 milhões de pessoas, há pouco mais de uma semana, Ishii já vinha aprendendo a lidar com a fama.

Apesar de ter ficado conhecido como o executor das prisões, por aparecer escoltando alguns dos principais personagens da Operação Lava-Jato levados à cadeia, a última vez que Ishii conduziu alguém à carceragem de Curitiba foi em janeiro. O alvo foi o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró que chegava de Londres, Inglaterra, no Rio. A avaliação de que ele estava visado e sua aparição poderia comprometer as operações fez com que ele saísse da linha de frente do cumprimento dos mandatos. Mas Ishii continuou liderando tarefas relevantes.

Chefe do Núcleo de Operações da Superintendência da PF do Paraná, ele responde pela logística e escolta de presos para locais como o IML (Instituto Médico Legal), o Complexo Médico Penal – onde estão a maioria dos detentos da operação –, as CPIs (comissões parlamentares de inquérito), para onde os investigados são levados a depor, e as audiências com a equipe à frente da Lava-Jato. Por isso, ainda aparece com frequência na mídia.

Fofoqueiro.
Também é Ishii quem controla o entra e sai de itens na carceragem, horários de banho de sol e tornozeleiras eletrônicas. Se uma perde o sinal, é seu telefone que toca para resolver a questão. A importância do agente na rotina dos detentos fez com que parte dos advogados procurados pela reportagem só se pronunciasse sob a condição de anonimato. Entre muitos criminalistas, ele é visto como “fofoqueiro”. Reclamam que faz comentários sobre o comportamento dos presos. Outros, como Rodrigo Rios, que atua na defesa de executivos da Engevix, Roberto Podval, que advoga para Dirceu, e Figueiredo Basto, defensor do doleiro Alberto Youssef, descrevem o agente como um policial “cordial” e “muito profissional” em sua função.

Ele voltou à ativa em março de 2014, depois de 11 anos afastado da polícia. Em 2003, quando estava lotado em Foz do Iguaçu (PR), foi acusado de facilitação de contrabando, chegando a ser preso em uma operação denominada Sucuri. O agente respondeu a um processo disciplinar, que acabou sendo arquivado. Na ação penal, foi condenado a pagar cestas básicas.

Após o episódio, aposentou-se. Mas graças a uma determinação do TCU (Tribunal de Contas da União), que fez com que vários policiais voltassem a trabalhar para cumprir um período a mais de serviço – dois anos no caso de Ishii – ele retornou à corporação.

Agentes dizem que Ishii hoje goza de confiança da direção da PF. A convocação para voltar veio do Superintendente do Paraná Rosalvo Franco. Ele e Ishii trabalharam juntos na outra passagem do policial por Curitiba. Recentemente, porém, o agente envolveu-se em mais uma polêmica: ele está entre os investigados pelo vazamento da minuta de delação de Cerveró. (Folhapress)

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