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Escrever certo pega bem

A ortografia é convenção. Escrever certo pega bem. (Foto: Reprodução)

Sabia? A ortografia é dispensável para a comunicação eficiente. Se alguém escreve casa com z, cachorro com x e coração sem til, o leitor entende o recado. Prova é a língua usada nos chats da internet. Lá, porque vira pq; você, vc; beijo, bj; obrigado, obg. Muitos não gostam do que leem, mas entendem o recado. A razão?

De aorcdo com peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Por que, então, preocupar-se com acentos, esses e zês? Porque é o combinado. Para viver em sociedade, firmamos pactos. Combinamos andar vestidos em público. Combinamos não arrotar à mesa. Combinamos não cuspir no chão. Combinamos, também, escrever como manda o dicionário. Ele, baseado em critérios etimológicos ou fonéticos, diz que hospital se grafa com h; pesquisa, com s; exceção, com ç. A razão: como todas as línguas de cultura, o português tem a grafia oficial. A ortografia é convenção. Escrever certo pega bem.

O infinitivo é a chave

Fizer se escreve com z. Quiser e puser com s. Por quê? A resposta está no nome do verbo. Fazer tem z no radical. A letra se mantém sempre que o z soar. Querer e pôr não têm. Com eles, a lanterninha do alfabeto fica bem longe: fiz, fez, fizesse, quis, quisemos, quisesse, pus, pôs, pusesse.

Simples assim

Hora significa 60 minutos: A velocidade na via é de 60km por hora. Quando divertir-se? A qualquer hora. Toda hora é hora.

Ora quer dizer por enquanto, por agora: Por ora, a velocidade máxima é de 80km por hora. Lamento, mas, por ora, nada posso fazer.

O quê enchapelado

Que ou quê? Quase sempre que. O quezinho só dá vez ao circunflexo em duas situações:

1. Quando for substantivo. Aí, tem plural: Ele tem um quê misterioso. Nenhum dos quês apresenta problemas. A letra quê tem charme.

2. Quando estiver no fim da frase, encostadinho no ponto: Os turistas estão espantados com quê? Quê! Você por aqui? O quê? Repita, por favor.

Xô, confusão

Haver ou a ver? Como não confundir as duas formas que soam do mesmo jeitinho? Faça o jogo do troca-troca. Se o a for substituível por que, dê a vez ao a ver. Caso contrário, o haver pede passagem: Este caso não tem nada a (que) ver com aquele. Minha história tem tudo a (que) ver com a de Paulo. Vai haver festa aqui?

A parte e o todo

A pronúncia de seção e sessão é a mesma. Mas a grafia e o significado não se conhecem nem de elevador:

Seção é a parte de um todo. Quer dizer divisão. No supermercado, há a seção de bebidas, a seção de frutas, a seção de laticínios. Na farmácia, a seção de remédios e a seção de cosméticos. Na loja, a seção de roupas masculinas, a seção de roupas femininas, a seção de roupas infantis.

Sessão é o todo. Dá nome ao tempo que dura uma reunião ou um espetáculo: sessão de cinema, sessão de terapia, sessão da tarde, sessão do Congresso.

Superdica: o todo é maior que a parte. Por isso, sessão tem cinco letras. Seção, quatro.

Leitor pergunta

Caetano fez post em homenagem a João Gilberto: “Maior artista que minha alma entrou em contato”. Tropeçou no pronome relativo, não?

José Ricardo, lugar incerto

Dois tropeços:

1. Artista é gente. Pede o pronome quem.

2. Faltou a preposição com: entra-se em contato com alguém.

3. Post nota 10: Maior artista com quem minha alma entrou em contato.

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