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Especial: conheça histórias de três casais que superaram a distância e conseguiram ficar juntos

Alice e Rafael são namorados desde 2014 - ela no Brasil, ele na Rússia. (Foto: Arquivo Pessoal)
Por Isadora Aires

O amor à distância é tema de músicas, poemas e livros há muito tempo. Estar longe do amado gera saudades, sofrimento e pode trazer mais dificuldades do que em um relacionamento “tradicional”. Nesse Dia dos Namorados, conheça três casais que fizeram dos quilômetros que os separavam apenas números e conseguiram reinventar a relação mesmo com a separação – apenas física, como eles mesmos frisam.

Um oceano e seis anos de distância

Rafael e Alice se conhecem desde 2013. (Foto: Arquivo Pessoal)

Alice Vogt e Rafael Rocha se conheceram em 2013, quando ainda estavam fazendo o ensino médio em Santa Cruz do Sul. A amizade começou quando um estava interessado no melhor amigo do outro. Essa não foi a coisa mais peculiar no relacionamento deles – o que veio depois foi bem mais peculiar. “Um dia a gente resolveu esclarecer os nossos sentimentos, […] só que era um momento em que o Rafa tava indo pra Rússia, faltava um mês”, relembra Alice. Ela conta que disse a ele que achava melhor que eles mantivessem a amizade, porque ele provavelmente encontraria outras pessoas no país europeu, onde estava indo cursar a faculdade. “Seria injusto impedir ele de viver isso”, conta ela.

Uma semana depois, Rafael disse a ela que não queria encontrar ninguém na Rússia. Assim, eles ficaram juntos pela primeira vez no dia 19 de janeiro de 2014 e menos de um mês depois, em 17 de fevereiro, Rafael já tinha embarcado para o velho continente. Alice lembra que o pedido de namoro aconteceu por vídeo, mas a exposição do relacionamento para família e amigos só veio em 2015. Desde lá, ambos se vêem apenas uma vez por ano durante dois meses – nas férias do Rafael, que sempre volta ao Brasil de junho a agosto. “Muita gente já desdenhou do nosso namoro, muita gente acha que não é sério, que vai acontecer de um trair ao outro”, conta Rafael. “Mas a gente ter um pilar sólido de amizade e nos conhecermos bem, faz com que a gente tenha uma confiança muito grande um no outro”, complementa ele.

No início do ano que vem, a dinâmica do relacionamento vai mudar – depois de seis anos, Rafael vai voltar ao Brasil de vez e os dois poderão concretizar os planos que fizeram durante o tempo em que ficaram distantes. Estudantes de medicina, eles têm o sonho de fundar uma ONG ligada à saúde pública. “Talvez isso seja um desafio, quando a gente tiver todo o tempo do mundo, vamos ter que nos adaptar porque esse ‘estar junto’ não será uma coisa tão avassaladora”, frisa Rafael. “Sempre que eu vejo o Rafa tem aquele pensamento: ‘tenho que aproveitar o máximo porque tá acabando o tempo’. Mas agora eu nunca mais vou passar por isso”, comemora Alice.

Da distância ao trabalho

Luciane e Thiago passaram anos viajando entre Santa Maria e Porto Alegre. (Foto: Arquivo Pessoal)

Luciane Peres e Thiago Idalgo se conheceram por acaso. Em 2009, Luciane foi a uma festa organizada pelo laboratório que Thiago trabalhava, em Porto Alegre. Duas semanas depois, pediu o contato dele para uma amiga. Na época, os dois conversavam apenas pelo antigo aplicativo de mensagens MSN. Luciane morava em Santa Maria. “Ela ia para Porto Alegre e a gente ficava quando ela estava lá, eu já estava apaixonadinho, pra mim já era namoro”, conta Thiago entre as risadas de Luciane. “A gente conseguia se ver mais ou menos uma vez por mês ou a cada um mês e meio e a frequência começou a aumentar quando o fim do ano se aproximou”, complementa. Luciane relembra que o início do relacionamento foi complicado: “era difícil, porque a gente brigava muito, esse era o maior problema da distância”. Thiago menciona, aos risos, que a atual esposa foi a Porto Alegre várias vezes apenas para terminar o relacionamento – nunca deu certo.

Depois de dois anos entre Santa Maria e Porto Alegre, o casal decidiu viver sob o mesmo teto em outra cidade, Pelotas. “Depois que fomos morar juntos, nosso relacionamento mudou muito, virou mais maduro”, conta Luciane. Mas novas separações não tardaram a acontecer: a bióloga retornou à capital para fazer pós-doutorado e depois a Santa Maria por causa de um novo emprego. Thiago lembra que quando a esposa foi para o Chile para pesquisar durante uma temporada, passou várias noites em claro conversando com ela via ligações de vídeo. “Cheguei a passar uma madrugada inteira no Skype, das nove da noite às sete da manhã. Enquanto ela fazia experimentos no Chile, eu estava em Porto Alegre conversando com ela”, conta ele.

Atualmente, os dois voltaram a morar juntos – dessa vez em Santa Maria -, com um adicional: os dois lecionam na mesma instituição. Luciane relata que as pessoas perguntam se ele como eles “aguentam” trabalhar juntos, mas ela “adora”. Segundo Thiago, o mais legal da “parceria” é que os dois conseguem desenvolver vários projetos juntos. “A gente venceu a distância e conseguiu morar junto. E depois de morar junto, a gente conseguiu trabalhar no mesmo lugar e na mesma empresa”, relembra ele.

Entre Nova Zelândia, Alemanha e Brasil

Marina nasceu no Brasil, Konsti na Alemanha e eles namoram desde 2013. (Foto: Arquivo Pessoal)

Marina Lins é brasileira, nascida em Porto Alegre, e Konsti Tempel é alemão. O destino dos dois se cruzou em 2013, enquanto ambos ainda estavam no ensino médio. Marina tinha ido para a Nova Zelândia visitar o pai, que mora lá. Para aproveitar a experiência, resolveu fazer dois meses de high school no país. Passado o primeiro mês, conheceu Konsti. Na volta para o Brasil, Marina conta que o agora namorado comentou que queria visitá-la. “Ele disse que estava com muita saudade de mim e que tinha ficado muito triste que eu ia embora”, conta ela. Marina conta que não acreditou na história, porque Konsti já havia pago seis meses de estudos e ainda tinha mais um período de estadia na Nova Zelândia. “Eu pensei que ele jamais largaria tudo para vir para o Brasil, um país que ele não tinha amigos e não tinha ideia de como era… e na verdade, foi isso que ele fez”, relembra ela.

Depois disso, o casal ficou dois meses no Brasil e Konsti voltou para a Europa. Marina esperou as férias, foi para a Alemanha e conheceu a família do atual namorado. Foi depois desse episódio que ambos decidiram ter um relacionamento – e permaneceram à distância até 2017. “O que é mais difícil é a questão de estar longe, de querer compartilhar certos momentos com a pessoa e ela não estar lá”, conta Marina. “[É difícil] principalmente pra gente porque a gente vem de culturas diferentes, então tinha vários momentos que eu queria mostrar [algo] pra ele porque justamente eu sabia que ele não tinha noção do que era aquilo”, complementa, antes de lembrar de uma história engraçada que aconteceu enquanto o namorado estava no Brasil. “Tem certas coisas que ele vivenciava e que ele não entendia. Pra ele, como um alemão, era só estranho. […] Uma vez a gente estava na Bahia. Ele pula de paraquedas e queria pular. Eu tinha encontrado o número de um cara que também pulava, aí ele ligou e o cara falou aquela coisa de brasileiro: ‘vamos ver’. […] Aí meu namorado ficou, ‘como assim a gente vai marcar? Eu estou te ligando pra gente marcar e tu estás me dizendo que é pra eu ligar de novo pra gente marcar?'”.

Desde 2017, Marina vive no país de origem de Konsti mas relembra que o tempo namorando à distância não foi só de coisas ruins. “Já que a gente estava separado, eu conseguia focar nas minhas coisas e ele focava nas dele. […] É muito importante cada um continuar fazendo as coisas que fazia antes de ter uma pessoa”. Agora, o namorado está estudando na Suíça por um tempo e os dois estão tendo um relacionamento à distância novamente, mas Marina diz que não é comparável aos velhos tempos pois é muito mais fácil de os dois se verem. Quando perguntada por outras pessoas sobre como conseguia manter um relacionamento a distância, ela sempre responde que “se tu gostas da pessoa, tu tens que tentar, porque tu podes conseguir e nem sabe”.

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