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Mundo O ex-presidente da França Nicolas Sarkozy negou as acusações de que teria recebido dinheiro do ex-ditador da Líbia e disse que a sua vida virou um inferno

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O ex-presidente governou a França entre 2007 e 2012. (Foto: Reprodução)

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy negou as acusações de que teria recebido ilegalmente dinheiro da Líbia para a sua campanha presidencial e disse que o caso transformou a sua vida em um inferno. As declarações foram dadas aos juízes que investigam a denúncia e divulgadas pelo jornal francês Le Figaro nesta quinta-feira (22). Os advogados de Sarkozy não quiseram comentar sobre a veracidade das afirmações.

O ex-presidente de 63 anos é acusado de ter recebido 50 milhões de euros (R$ 202 milhões) do ex-ditador líbio Muammar Gaddafi (1942-2011) para a sua campanha vitoriosa em 2007. Como presidente, foi Sarkozy quem autorizou o bombardeio que ajudou a derrubar o ditador em 2011, durante a Primavera Árabe. Logo após o início da operação militar, um dos filhos de Gaddafi deu uma entrevista na qual afirmou que o pai tinha financiado a campanha do francês.

Por isso, Sarkozy diz que a acusação é uma vingança de pessoas próximas ao ex-ditador, que acabou morto no fim de 2011. “Esta calúnia fez da minha vida um inferno desde 11 de março de 2011”, disse ele, citando a data em que começou o bombardeio na Líbia. “Estou sendo acusado sem uma prova física.”

O caso, investigado desde 2013, chegou a seu ápice na terça-feira (20), quando o ex-presidente foi detido pela polícia e levado para interrogatório. O depoimento continuou na quarta-feira (21) e, ao fim do dia, ele foi formalmente indiciado por corrupção passiva, financiamento ilegal de campanha e recebimento de dinheiro desviado dos cofres públicos líbios. Ele responderá ao processo em liberdade.

Para Sarkozy, a revelação do caso custou sua reeleição em 2012, quando perdeu para o candidato socialista François Hollande . “Eu paguei um alto preço por isso. Veja desse modo: eu perdi eleição presidencial em 2012 por 1,5 ponto percentual. A controvérsia iniciada por Gaddafi e seu capanga me custou este 1,5 ponto”, completou.

O capanga a que Sarkozy se refere é o empresário franco-libanês Ziad Takieddine, que disse ter entregue em 2007 uma mala enviada pelo governo Líbio com 5 milhões de euros (R$ 20,2 milhões) para Sarkozy e seu chefe de gabinete, Claude Gueant. Em entrevista à TV francesa na quarta-feira, o empresário voltou a repetir as acusações. O ex-presidente disse que as declarações de Takieddine são mentirosas.

Dinheiro irregular

Essa é a primeira vez que Sarkozy fala sobre a suspeita de ter recebido secretamente 50 milhões de euros da Líbia para financiar a campanha que o levou à presidência da França. Tal soma seria mais do que o dobro do limite permitido legalmente na época para financiamento de campanhas políticas: 21 milhões de euros, de acordo com a Deutsche Welle. Ainda quando presidente, Sarkozy classificou as suspeitas de “grotescas”.

 

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