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O líder da banda U2, Bono Vox, critica Bolsonaro em exibição na Irlanda do Norte

Bono afirmou que "Os diabos de Macphisto estão tomando o controle ao redor do mundo”. (Foto: Reprodução)

Conhecido por seu ativismo político, o vocalista da banda irlandesa de rock U2 ironizou o presidente Jair Bolsonaro (PSL), eleito no domingo (28), em um show em Belfast, na Irlanda do Norte. O artista estava vestido de demônio Mr. Mcphisto quando disse: “Milhões de pessoas estão prestes a ver seu carnaval virar um desfile militar por um homem de nome Capitão Bossa Nova… Bolsonaro, não esqueça o nome. Tantos nomes diferentes, mas só uma face: a minha. É quando você não acredita que eu existo que eu faço meu melhor trabalho”. O show foi na noite de sábado (27).

Ao se fantasiar com seu personagem Mr Macphisto, paródia do diabo de Fausto, o cantor pergunta à platéia: “Vocês já viram um político assim antes? Os diabos de Macphisto estão tomando o controle ao redor do mundo”, responde, caracterizado com chifres vermelhos, pó branco no rosto e uma boca meio de “Coringa”, meio de monstro.

O personagem interpretado pelo cantor conclui que todos os nomes têm apenas um rosto: o dele. E termina, com uma risada maligna. “Não acredite no que você vê. Feche os olhos: você pode sentir!”.

Bono Vox fez a crítica a Bolsonaro no mesmo dia em que seu colega músico, o ex-baixista e compositor do Pink Floyd Roger Waters.

No sábado (27), em show realizado em Curitiba, no Paraná, Waters colocou a hashtag #EleNão no telão apenas 30 segundos antes da proibição de manifestações políticas pelo tribunal do Estado, justificada pela proximidade da eleição.

30 segundos

Trinta segundos antes das 22h, o músico, que está em turnê por diversos estados do Brasil, lançou no telão o aviso “Temos 30 segundos” e, em seguida, apareceu o aviso: “Essa é a nossa última chance de resistir ao fascismo antes de domingo”. O músico, então, concluiu o alerta com a hashtag “EleNão”, uma manifestação contra o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro. Para depois arrematar: “São 10:00. Obedeçam a lei”, uma forma de driblar a “censura” que sofreu de parte do público nos primeiros shows que fez no País, em São Paulo.

Roger Waters perdeu seu pai durante o nazismo e, em composições da banda de rock progressivo, especialmente no álbum “The Wall”, sempre discursou contra o autoritarismo e a perda de liberdades individuais, elementos que estão presentes no discurso do candidato do PSL.

No primeiro show em São Paulo, Roger Waters incluiu o nome de Bolsonaro entre diversos políticos ao redor do globo, entre eles Donald Trump, e alertou sobre a volta do fascismo no mundo. Vaiado por parte da plateia, no segundo show na cidade ele colocou uma faixa de censura no nome de Bolsonaro. No show em Salvador, fez uma homenagem a capoeirista assassinado na cidade por motivações políticas e, no Rio, homenageou Marielle Franco, vereadora do PSOL assassinada em março.

Bolsonaro reagiu às críticas e chegou a pedir a cassação de Fernando Haddad (PT) por conta da turnê do músico. A campanha de Bolsonaro alega que, em turnê pelo País, Roger Waters pôs em prática “ostensiva e poderosa propaganda eleitoral negativa” contra o candidato, beneficiando diretamente o adversário petista. A Justiça Eleitoral do Paraná disse que, caso Waters não seguisse as regras, poderia ser “responsabilizado criminalmente” pela contravenção. O show de Curitiba foi o penúltimo show do músico no País. Ele encerra a turnê “Us and then” nesta terça-feira (30) em Porto Alegre.

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