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O menor país da história dos Mundiais: até 2016, a Islândia nunca havia disputado uma grande competição de futebol

Na classificação para a Euro 2016, a Islândia venceu República Tcheca, Turquia e Holanda. (Foto: Reprodução)

O menor país da história dos Mundiais. Com cerca de 350 mil habitantes, o feito da Islândia toma proporções ainda maiores. Especialmente ao superar um dos grupos mais complicados das eliminatórias e ser a sensação da Eurocopa. Até 2016, a Islândia nunca havia disputado uma grande competição do futebol mundial. Bateu na trave ao cair na repescagem para o Mundial de 2014, mas parecia apenas um episódio isolado. O ciclo tratou de mostrar que não se resumia a uma zebra. Era um trabalho capaz de competir contra países tradicionalmente mais fortes.

Na classificação para a Euro 2016, venceu República Tcheca, Turquia e Holanda. Na Euro, empatou com Portugal, eliminou a Inglaterra e caiu apenas para a França nas quartas. As eliminatórias para 2018 apresentaram outro desafio: um difícil grupo com Croácia, Ucrânia e Turquia. Quatro países brigando por apenas uma vaga direta. Vaga que ficou com a Islândia, que novamente venceu todas as partidas em casa.

Uma das grandes marcas do trabalho de Heimir Hallgrímsson é o elenco reduzido. Poucas mudanças de escalações entre os jogos e dificuldades para fechar um elenco com 23. Em janeiro, o técnico conduziu uma semana de treinos e amistosos na Indonésia, com a intenção de descobrir opções entre os islandeses que atuam principalmente na Suécia e na Noruega.

Albert Gudmundsson talvez tenha sido o grande “achado”. Promessa da base do PSV, o atacante se destacou e pode até brigar por espaço no time titular, já que tem característica diferente dos outros homens de frente do elenco principal. Samuel Fridjónsson (22 anos) foi outro que ganhou pontos com a utilização no meio e na lateral direita.

A estrutura tática da Islândia não tem grande variação. Duas linhas de quatro bem definidas, alternando apenas entre dois atacantes ou um atacante e um meia avançado. Oito titulares iniciaram pelo menos sete das dez partidas nas eliminatórias. Magnússon e Skúlason brigam pela titularidade na lateral esquerda. O primeiro tem bom cruzamento, enquanto o segundo é opção de bola parada e dá maior contribuição defensiva. Bodvarsson e Finnbogason podem formar a dupla de ataque, mas, dependendo da proposta e do adversário, um deles poderia dar lugar a Hallfredsson, preenchendo o meio e liberando Gylfi Sigurdsson para atuar como meia mais avançado.

Como não são mais do que 15 peças de confiança, a condição física vira a maior preocupação para os fanáticos torcedores islandeses. Albert Finnbogason perdeu os três primeiros meses do ano por lesão, enquanto Gylfi Sigurdsson assustou quando sentiu o joelho na partida contra o Brighton, em março, na Premier League. Por sorte, não foi tão grave, mas não voltou a atuar pelo Everton na temporada. Seu retorno foi comemorado nos amistosos de preparação para o Mundial.

Com Gunnarson e Gylfi Sigurdsson, a Islândia tem força e experiência de futebol inglês no centro do campo. Gunnarson guarda posição e é uma conhecida arma nos laterais longos, enquanto Gylfi é a referência técnica da seleção, com bons passes e ótimos chutes de média distância. A melhor notícia da temporada para Heimir Hallgrímsson foi o crescimento de Johann Berg Gudmunsson, que conseguiu dar o salto da Championship para a Premier League, se firmando com boas atuações no Burnley. É o meia aberto capaz de acelerar pelas pontas, geralmente atacando a área para concluir.

Na esquerda, a versatilidade de Bjarnason oferece equilíbrio ao dar mais pausa e atacar também por dentro. Ao longo das eliminatórias, a maior parte das jogadas ofensivas teve construção na esquerda e conclusão na direita. Outra saída é a ligação direta para Bodvarsson, que consegue proteger de costas para a defesa e acionar o lado do campo para cruzamentos para Finnbogason, atacante do Augsburg.

A defesa é, individualmente, um ponto fraco e já não possui experiência no mais alto nível, mesmo tendo média de idade mais avançada (com Saevarsson, Ragnar Sigurdsson, Árnason e Skúlason, o mais novo tem 31 anos). Até por isso, é fundamental o papel da segunda linha na proteção. Uma fragilidade constante é o espaço cedido para finalizações da entrada da área em diversos jogos das eliminatórias. Pensando nisso, a Islândia pode recorrer a outro tipo de característica nos seus dois jogadores mais avançados. Da mesma forma que pode ter Finnbogason e Bodvarsson na sua formação mais ofensiva, pode ter Gylfi Sigurdsson e/ou Albert Gudmundsson adiantados para aumentar o trabalho defensivo na recomposição e aumentar a marcação aos volantes adversários.