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Os Estados Unidos anunciaram que vão ser realizados exames médicos em todas as crianças migrantes

Como resultado da política de tolerância zero de Trump, 2,3 mil crianças foram separadas de seus pais. (Foto: Reprodução)

O CBP, o serviço de vigilância das fronteiras dos Estados Unidos, anunciou que fará exames médicos em todas as crianças sob sua custódia, após a morte na véspera de Natal de um guatemalteco de oito anos, a segunda de uma criança em circunstâncias semelhantes.

Identificado pelo congressista Joaquin Castro como Felipe Alonzo Gomez, o menino foi transferido para um centro médico do Novo México na segunda-feira, depois de apresentar sinais de doença, informou o CBP em um comunicado.

A equipe médica o diagnosticou com um resfriado comum. Ele recebeu alta na parte da tarde, com receitas de ibuprofeno e amoxicilina.

O quadro evoluiu, e Alonzo, que estava detido com seu pai, começou a sentir náuseas e a vomitar. O menino foi, então, levado de volta para o hospital, onde acabou falecendo na segunda-feira, pouco antes da meia-noite.

O CBP informou na terça-feira (25) que não havia estabelecido a causa da morte, mas que vai garantir “uma revisão independente e completa das circunstâncias”.

Mais tarde, Kevin K. McAleenan, funcionário da agência, anunciou que o organismo “vai realizar exames médicos em todas as crianças sob os cuidados e custódia” e “revisará suas políticas, com especial atenção para o cuidado e custódia de crianças menores de 10 anos”.

Ele acrescentou que o CBP considera a possibilidade de buscar apoio médico de outras agências e que está coordenando os esforços com os Centros para Controle de Doenças.

Investigação

Segundo informações do Ministério das Relações Exteriores da Guatemala, o menino e seu pai foram detidos em 18 de dezembro após atravessarem a fronteira pela cidade de El Paso, no Texas.

No dia 23, foram transferidos para Alamogordo, no estado vizinho.

O governo guatemalteco pediu “uma investigação clara e respeitando o devido processo”.

Em 8 de dezembro, a menina guatemalteca Jakelin Caal morreu no hospital de El Paso por causas ainda não reveladas. Ela havia sido detida com o pai, depois de atravessar ilegalmente a fronteira na noite de 6 de dezembro.

Segundo o jornal “The Washington Post”, que citou o CBP, a menina faleceu de “desidratação e choque”.

O caso de Jakelin gerou indignação nos Estados Unidos, e uma delegação do Congresso que visitou o local onde a menina foi detida denunciou “falhas sistêmicas” no processo e condições de higiene deploráveis.

Após a morte, o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) anunciou uma investigação, cujos resultados serão apresentados ao Congresso e serão públicos.

“Estou arrasada ao saber da morte de um segundo menino em detenção”, escreveu no Twitter a representante Nydia Velazquez.

“Devemos atribuir responsabilidades, encontrar respostas e acabar com a odiosa e perigosa política contra os migrantes deste governo”, acrescentou.

“Outra criança morre sob a supervisão deste governo”, tuitou o congressista democrata Marc Veasey, do Texas.

A American Civil Liberties Union descreveu os eventos como uma “tragédia assustadora”.

“O CBP deve prestar contas e parar de prender crianças. O novo Congresso deve ter como uma de suas primeiras prioridades conduzir uma investigação sobre o Departamento de Segurança Interna (DHS)”, apontou a ONG.

Trump

O presidente Donald Trump promove uma política de tolerância zero contra a imigração, no marco da qual 2.300 migrantes menores de idade foram separados de seus pais entre 5 de maio e 9 de junho. A medida gerou indignação dentro e fora do país.

Para conter a imigração, Trump quer construir um muro ao longo da fronteira com o México com um orçamento de 5 bilhões de dólares, esbarrando na oposição democrata.

A queda de braço resultou em uma paralisação parcial do governo federal há quatro dias. O presidente prometeu que não cederá até obter fundos para o muro.

Os migrantes que fogem da pobreza e da violência de gangues em Honduras, Guatemala e El Salvador arriscam suas vidas para chegar aos Estados Unidos através das passagens do Novo México, do Texas e do Arizona.