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Traficantes de órgãos roubaram o líquido cerebral de 12 mulheres no Paquistão

Não está claro por que o líquor está circulando no mercado negro do Paquistão. (Foto: Reprodução)

A polícia do Paquistão prendeu quatro pessoas na província de Punjab acusadas de roubar e traficar líquor, líquido que circula entre o cérebro e a medula espinhal. Os suspeitos roubaram o líquido cefalorraquidiano de 12 mulheres – entre elas uma adolescente -, disse a polícia ao serviço. Depois, tentaram vender o material no mercado negro.

Os traficantes enganaram as vítimas dizendo que tinham de retirar amostras de sangue para um programa de assistência financeira do governo de Punjab, a região mais populosa do país. As autoridades descobriram o esquema depois que um homem notou que sua filha de 17 anos se sentia fraca após o procedimento.

“Parece que essa gangue atua na área de Hafizabad (cidade paquistanesa) há algum tempo”, disse o policial Ashfaq Ahmed Khan. Segundo Khan, um dos membros da quadrilha se apresentava como funcionário de um grande hospital local. Ele dizia às mulheres que necessitava de amostras de sangue para que elas se tornassem elegíveis ao programa de assistência do governo.

“Mas em vez de levá-las ao hospital para obter suas ‘amostras de sangue’, ele conduzia as vítimas à casa de outro membro da gangue para realizar o procedimento de retirada do líquor”, afirma Khan.

Encontrado ao redor do cérebro e da medula espinhal, o líquido transparente protege a região contra traumas e lesões. Ele é retirado com uma agulha diretamente da coluna vertebral – normalmente, a punção é realizada na região lombar, em exames prescritos para diagnosticar doenças que afetam o sistema nervoso, por exemplo.

Não está claro por que o líquor está circulando no mercado negro do Paquistão. O Ministério da Saúde do país afirmou que criou um comitê para investigar o caso – os quatro membros da quadrilha continuam presos. Não é a primeira vez que uma fraude relacionada à saúde ganha as manchetes no país.

No final de 2016, a polícia resgatou 24 pessoas mantidas reféns por uma gangue de tráfico de órgãos na cidade de Rawalpindi. O Paquistão tornou ilegal a venda de órgãos humanos em 2010, mas especialistas dizem que o país segue como um dos principais pontos de tráfico.

Tráfico de pessoas

Quem pensa que o tráfico de pessoas é um fenômeno que repousa no passado, desconhece uma realidade, que parece invisível, mas a cada dia, torna-se mais presente e próxima de nós. Todavia, a verdade é que o mesmo fenômeno toma parte do presente sob outras formas modernas de TP (Tráfico de Pessoas). Não mais voltado principalmente para a população negra e indígena, como foi no Brasil. Na atualidade, todos os países convivem com esse tráfico, seja para venda ou para compra de seres humanos. Esse tipo de perversidade para com a humanidade não é uma prática reservada ao mundo pobre ou em desenvolvimento, mas é um fenômeno global, e, como sempre, regido pela lógica de mercado nos moldes atuais.

Diferentes são as modalidades que assumem o tráfico de pessoas no Brasil, na América Latina e em outros países do mundo. Estas vão desde o tráfico de mulheres e meninas para a indústria do sexo, de crianças e adolescentes, de trabalho escravo, adoção ilegal e tráfico de órgãos e tecidos, tráfico de travestis e transexuais.

No universo acadêmico, nas universidades e em seus centros de pesquisa, pouca atenção tem sido prestada, tanto no lado da produção de pesquisa tanto no lado de propostas de intervenção social. De outro lado, esta terrível realidade, que fere os mais essenciais direitos humanos, é um tema bastante afastado dos imaginários sociais ou das vivências da sociedade. Assim, além de políticas que possam enfrentar as questões suscitadas pelo tráfico de pessoas, se faz necessário a produção de obras que discutam o problema e que o aproxime tanto da sociedade e suas organizações quanto do mundo da pesquisa acadêmica.

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