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Um grão de gergelim atrapalhou a carreira de um jogador da NBA

O ala-armador Zhaire Smith busca seu espaço após um início difícil na NBA. (Foto: Reprodução/Twitter/@zhaire_smith)

Zhaire Smith descobriu da pior maneira que era alérgico a gergelim. O jogador da NBA conhecia a intolerância de seu corpo ao amendoim, mas precisou sofrer uma severa reação depois de comer um frango com gergelim, no complexo de treinamento do Philadelphia 76ers, para ter conhecimento de mais uma restrição. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Isso ocorreu em setembro de 2018, quando, aos 19 anos, o ala-armador se preparava para fazer sua estreia na liga norte-americana de basquete. Um buraco se formou em seu esôfago, e o atleta começou a vomitar sangue. Levado às pressas para um hospital, passou por uma cirurgia torácica e ficou internado por seis semanas.

No processo, o texano perdeu 16 kg, caindo de 90 kg para 74 kg, e viu se tornar bem mais difícil o geralmente já complicado início de um jogador na NBA. Até agora, ele luta para recuperar o tempo perdido pela alergia ao grão (muito comum nos pães de hambúrguer), alimento que não consegue digerir.

Antes do infortúnio, o ala-armador havia chamado a atenção por sua produção no basquete universitário, com médias de 11 pontos e 5 rebotes e um aproveitamento de 56% nos arremessos de quadra por Texas Tech. Isso o fez ser escolhido na 16ª posição do “draft”, o sistema de recrutamento dos calouros da NBA.

Smith conseguiu jogadas plásticas e demonstrou sua capacidade atlética no campeonato amistoso de verão da liga, disputado por garotos, mas encarou o primeiro grande obstáculo semanas antes do que seria sua estreia para valer, ao sofrer uma fratura no pé. Na sequência, apareceu a reação alérgica que o deixou debilitado.

A recuperação seria difícil para qualquer paciente, mas exige ainda mais para alguém que deseja causar algum impacto na NBA. Por isso, o jogador acabou disputando apenas seis partidas na fase de classificação da temporada 2018/19, somadas a duas brevíssimas aparições nos mata-matas, com um total de 116 minutos em quadra.

Com flexões no meio da noite e puxando muito peso, ele acabou chegando aos 95 kg, com os quais atuou em seu segundo campeonato de verão – anotando 12 pontos por jogo e acertando 48% dos arremessos de quadra. Enfim, após longa espera, ele pôde demonstrar sua antes elogiada capacidade de saltar, cravando enterradas e completando pontes aéreas.

Estou 100% saudável. Estou bem”, disse, pouco antes do início da temporada 2019/20. “Nesta época, no ano passado, eu estava machucado. Agora, é diferente, mas eu me sinto um novato outra vez, porque posso jogar em vez de apenas assistir às partidas”, acrescentou, agora com 20 anos.

Está difícil, porém, para Zhaire Smith encontrar seu espaço no recheado elenco dirigido por Brett Brown. Em um time com atletas como Joel Embiid, Ben Simmons, Al Horford e Tobias Harris –que divide a liderança da Conferência Leste com o Boston Celtics, com cinco vitórias e uma derrota–, não há neste momento espaço para o garoto, que ainda tenta se encontrar.

Para ganhar experiência e voltar a jogar com regularidade, ele tem atuado pelo Delaware Blue Colts, time afiliado ao Philadelphia 76ers que participa da liga de desenvolvimento da NBA. Fora da quadra, ele parou de provar alimentos desconhecidos. E passou a ganhar um cardápio exclusivo preparado por sua equipe.

Apesar de “confiar no processo” – expressão que acompanhou o Philadelphia em anos difíceis, nos quais o time sofria em quadra, mas acumulava jovens talentos –, os torcedores sofrem há algum tempo com os garotos recrutados. Uma espécie de maldição está ligada às escolhas de “draft” dos 76ers desde 2013.

Naquele ano, a franquia selecionou Nerlens Noel, hoje no Oklahoma City Thunder. O pivô se recuperava de uma ruptura no tendão de Aquiles, mas os dirigentes dos 76ers apostaram em seu poder defensivo e sua força no garrafão. O jogador passou a temporada no banco e acabou sendo trocado.

No ano seguinte, chegou o carismático Joel Embiid, símbolo maior do “processo”. Mas fraturas seguidas no pé direito o fizeram perder não só a primeira como o que seria sua segunda temporada. Foi só em 2016/17 que o pivô pôde começar a demonstrar seu talento, reconhecido como um dos principais na NBA atual.

Depois de Embiid, em 2015, foi a vez de Jahlil Okafor, outro pivô com problemas físicos. Com lesões recorrentes de joelho, ele perdeu 29 partidas em sua primeira temporada e 32 na segunda. Tal qual ocorrera com Noel, de esperança do futuro passou a atleta descartado. Agora, defende o New Orleans Pelicans.

A maldição teve sequência em 2016, com o armador Ben Simmons. Hoje, ele é peça-chave do bom time dos Sixers, mas sua estreia só correu em 2017/18, o que lhe permitiu ser eleito novato do campeonato quase dois anos depois de ser escolhido.

No “draft” de 2017, o azar não ficou para trás. Para recrutar o armador Markelle Fultz com a primeira escolha geral, o Philadelphia fez um negócio com o Boston Celtics no qual enviou ao rival a terceira escolha. Fultz perdeu 68 jogos da sua temporada de estreia, com um problema no ombro que chegou a impedi-lo de levantar o braço acima do pescoço.