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Uma espiã trabalhou por dez anos na embaixada dos Estados Unidos em Moscou

Embaixada americana em Moscou. (Foto: Reprodução)

Uma suposta espiã russa trabalhou na embaixada dos Estados Unidos em Moscou durante uma década, antes de ser demitida discretamente no ano passado, revelou a imprensa na quinta-feira.

A mulher, de nacionalidade russa, foi contratada pelo Serviço Secreto e estava sob suspeita após uma checagem de rotina por parte do departamento de Estado, segundo o jornal britânico The Guardian e a rede de televisão americana CNN.

A investigação descobriu que a mulher mantinha reuniões periódicas não autorizadas com membros da principal agência de inteligência russa, FSB

“Supomos que todos falavam com a FSB, mas ela estava dando muito mais informação do que deveria”, disse um funcionário à CNN.

A mulher tinha acesso aos sistemas de intranet e e-mail do Serviço Secreto, o que lhe abria uma janela para dados potencialmente sensíveis, incluindo as agendas do presidente e do vice-presidente dos Estados Unidos.

Segundo The Guardian, o Serviço Secreto tentou superar a situação embaraçosa demitindo a mulher quando Moscou exigiu a saída de 750 membros da embaixada americana na Rússia durante a disputa diplomática gerada pelas acusações de interferência nas eleições presidenciais de 2016 nos Estados Unidos.

Consultado pela AFP, o Departamento de Estado dos EUA disse que está analisando o relatório, mas não comentou sobre questões de inteligência.

Russa seria agente infiltrada nos EUA

A revelação ocorre semanas depois de uma mulher russa de 29 anos que vive em Washington ser presa e acusada de ser uma agente oculta a serviço do Kremlin. Ela pode ser condenada a 15 anos de prisão.

A mulher teria se infiltrado durante quatro anos em círculos conservadores dos EUA para influenciar políticos republicanos poderosos.

Maria Butina, conforme revelaram autoridades federais dos EUA nesta semana, também tinha laços com um integrante do governo de Moscou e com um bilionário ligado ao Kremlin que ela chamava de seu “financiador”.

Segundo promotores, Butina mentiu para conseguir um visto de estudante e frequentar um curso de graduação na Universidade Americana em Washington em 2016. Depois, aparentemente pensando em um visto de trabalho que lhe garantisse permanência mais longa, ela propôs a um americano compensá-lo com sexo em troca de um emprego.

Butina foi morar com um operador político republicano que tinha o dobro de sua idade, a quem descrevia como namorado e que realizava seus trabalhos acadêmicos, mas por quem expressava desprezo em particular.

A russa é acusada de conspiração e atuação ilegal como agente de Moscou. Segundo os promotores, ela foi a crucial em uma campanha longa e calculada para manobrar políticos americanos de alto nível em Washington a fim de atingir os objetivos do Kremlin.

Os promotores não citaram nomes, mas os esforços de Butina claramente visavam líderes republicanos, sobretudo com aspirações à Casa Branca em 2016, como Donald Trump.

Enquanto agentes da inteligência russa invadiam os computadores e contas de email da campanha de Hillary Clinton e de organizações do Partido Democrata, Butina fazia conexões com o meio republicano sob a orientação supostamente de Alexander Torshin, vice-presidente do Banco Central russo com laços com os serviços de inteligência.

Secretamente, ela e outros fincaram as bases de uma operação de US$ 125 mil (R$ 472 mil pela cotação atual) para se conectar a líderes republicanos por meio de uma rede de contatos da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) e de grupos religiosos conservadores, incluindo os organizadores do Desjejum Nacional de Oração, segundo os promotores.

A juíza Deborah A. Robinson, do Tribunal Distrital dos EUA, negou fiança para Butina, aceitando o argumento da promotoria de que ela apresentava risco de fugir do país.

Em março, Butina jantou com um diplomata russo suspeito de ser agente da inteligência. Ele deixou os EUA duas semanas depois, na época em que uma dúzia de oficiais da inteligência russa foram expulsos do país por causa do envenenamento do ex-espião russo que Serguei Skripal, no Reino Unido.

A lista de contatos de Butina incluía uma conta de email associada à FSB, a agência de inteligência russa que é a principal sucessora da KGB soviética. Agentes do FBI que vasculharam seu apartamento encontraram um bilhete manuscrito que dizia: “Como responder à oferta de emprego da FSB?”.

O advogado de Butina, Robert Driscoll, salientou que Butina não foi indiciada pelo procurador especial Robert Mueller, que investiga a interferência russa nas eleições, e não deve ser comparada aos quase 30 russos acusados de se infiltrar nos computadores de organizações democratas ou de usar ilegalmente redes sociais para influir na eleição.

Em Moscou, autoridades disseram que Butina, que se declarou inocente das acusações, foi um peão em um jogo geopolítico muito maior.

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