Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Gisele Flores | 29 de maio de 2026
A pós-graduação da Ulbra desenvolve pesquisas voltadas à compreensão de mecanismos relacionados ao câncer.
Foto: Divulgação/UlbraEstudo da Ulbra analisa como inflamação tumoral altera macrófagos e afeta a função mitocondrial em abordagem de biologia de sistemas.
A Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) investiga, em abordagem de biologia de sistemas, a reprogramação funcional de macrófagos associados a tumores sob influência de inflamação crônica e disfunção mitocondrial.
Macrófagos são células do sistema imune inato responsáveis pela fagocitose de patógenos, remoção de detritos celulares e regulação de respostas inflamatórias teciduais, atuando como componentes centrais da imunovigilância.
O estudo, vinculado à pós-graduação Stricto Sensu, integra análise do sistema complemento, redes inflamatórias persistentes e alterações metabólicas no microambiente tumoral.
A pesquisa “Integração entre sistema complemento, inflamação e disfunção mitocondrial em macrófagos associados a tumores”, conduzida por Amanda Dalla’Cort Chaves, emprega modelagem in silico baseada em redes proteína-proteína derivadas de literatura biomédica.
A análise identifica acoplamento funcional entre assinaturas inflamatórias, reorganização metabólica e perda de homeostase mitocondrial em macrófagos tumorais, com convergência em fenótipos imunossupressores.
O microambiente tumoral é tratado como sistema dinâmico não linear, no qual interações entre células imunes e sinalização inflamatória modulam estados celulares estáveis alternativos.
Macrófagos associados a tumores exibem plasticidade fenotípica dependente de contexto, com transição entre estados efetores e pró-tumorais sob pressão inflamatória contínua.
A disfunção mitocondrial emerge como nó central de integração entre estresse metabólico, sinalização redox e reprogramação imunológica.
O sistema complemento atua como modulador adicional dessas redes, influenciando amplificação inflamatória e evasão imune tumoral em diferentes níveis de regulação.
Os resultados sugerem convergência sistêmica entre inflamação crônica, desregulação metabólica e falha de resposta imune efetora, sustentando reprogramação funcional de macrófagos no microambiente tumoral.
A Ulbra posiciona o estudo no campo da imunologia de sistemas e da oncologia computacional, com foco em arquiteturas regulatórias complexas em vez de alvos moleculares isolados.
Nesse contexto, o câncer é descrito como sistema emergente de interação imunometabólica, caracterizado por estabilidade dinâmica de estados pró-tumorais mediados por redes inflamatórias interdependentes.
A abordagem reforça a importância de modelos integrativos para compreensão de fenótipos celulares emergentes, nos quais múltiplas vias biológicas operam de forma simultânea e não linear.
O trabalho destaca a modelagem computacional como ferramenta de inferência em sistemas biológicos complexos, permitindo reconstrução de redes funcionais a partir de dados bibliográficos estruturados.
Ao integrar inflamação, metabolismo mitocondrial e sistema complemento, a pesquisa sugere que a disfunção imune no câncer não é evento isolado, mas propriedade emergente de redes interconectadas.
A Ulbra consolida, assim, sua inserção em pesquisa biomédica avançada, com foco em análise sistêmica de processos imunológicos e metabólicos associados à progressão tumoral. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com,br)
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