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Búfalos: produção e desafios ambientais

Búfalos no Brasil: entre expansão produtiva e desafios ambientais ABCB reforça que caso em Rondônia é específico e não representa a bubalinocultura nacional.

A presença de búfalos na Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, reacendeu o debate sobre os limites entre produção agropecuária e conservação ambiental. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB) foi categórica ao afirmar que o episódio deve ser tratado como um desafio ambiental localizado, sem generalizações que prejudiquem a bubalinocultura brasileira.

“A situação registrada em Rondônia não representa a bubalinocultura brasileira conduzida de forma técnica, produtiva e responsável”, afirmou a ABCB em comunicado. “O tema deve ser tratado como um desafio ambiental específico e localizado, com atuação coordenada dos órgãos competentes”, acrescentou a entidade.

Segundo a associação, os animais que hoje ocupam áreas de preservação têm origem em iniciativas da década de 1950, quando búfalos foram introduzidos no estado para fomentar a produção de carne e leite. Com a descontinuidade dos projetos, parte dos rebanhos passou a se reproduzir sem manejo, sem controle populacional ou sanitário, formando populações não manejadas em áreas que hoje integram unidades de conservação.

A ABCB reconhece que a presença de animais sem controle reprodutivo ou sanitário, independentemente da espécie, pode provocar impactos ambientais e riscos à sanidade. Mas reforça que a bubalinocultura produtiva brasileira segue protocolos técnicos, zootécnicos e de bem-estar animal, com resultados consistentes para a economia rural.

“A ABCB coloca-se à disposição para contribuir tecnicamente com o debate, por meio do compartilhamento de conhecimento sobre manejo de bubalinos e apoio à construção de soluções viáveis, responsáveis e alinhadas ao interesse público”, destacou a nota.

Bubalinocultura no Brasil

O panorama da bubalinocultura brasileira em 2026 é marcado por forte expansão e modernização técnica. Com o maior rebanho do Ocidente — estimado em cerca de 3 milhões de cabeças —, o setor tem crescido a um ritmo médio de 20% na última década. A atividade vem ganhando espaço no mercado de carnes nobres e lácteos, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, segundo dados da Universidade de Santa Maria (UFSM).

A bubalinocultura regular é marcada por práticas de bem-estar animal, eficiência econômica e manejo sanitário rigoroso. O leite de búfala, com alto teor de sólidos, é base para queijos de alto rendimento como a mozzarella, enquanto a carne é considerada saudável, com menor teor de gordura e colesterol em comparação à bovina. Essa rusticidade e adaptabilidade tornam os búfalos estratégicos em áreas alagadiças e solos de baixa fertilidade, onde bovinos têm menor desempenho.

Reserva Guaporé não é Bubalinocultura

O episódio da Reserva do Guaporé expõe falhas históricas de manejo, mas não deve ser confundido com a bubalinocultura produtiva brasileira. O desafio, segundo a própria entidade, é separar casos isolados da realidade nacional e investir em políticas públicas que consolidem a atividade como vetor de desenvolvimento sustentável, capaz de gerar renda, alimentos de qualidade e equilíbrio ambiental. (por Gisele Flores – Gisele@pampa.com.br)

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