
A prova dos 3 Tambores marcou o encerramento do circuito nacional de função da raça Mangalarga durante a 49ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS). Depois das etapas de Baliza, 5 Tambores e Working Penning, coube à modalidade mais veloz e técnica fechar a programação esportiva da raça, reunindo cavaleiros, amazonas e conjuntos em uma disputa definida pelo cronômetro.
Foram seis categorias em pista, todas decididas por centésimos de segundo, em uma tarde marcada pelo equilíbrio e pela imprevisibilidade. O menor tempo do dia veio na categoria Aberta, com Bárbara Borges da Rocha e a égua Penelope VJC, que registraram 20,409 segundos. A amazona, que treina no Centro Equestre FRE, em Tijucas do Sul (PR), destacou a parceria construída ao longo de quase dois anos com Penelope: “Treinamento, muita determinação. Não posso deixar de agradecer à minha égua, que estava comigo em todos os momentos. Mesmo cansada, ela conseguiu fazer com que a gente ficasse em primeiro lugar.”
Na categoria Feminina, o título foi para Marcely Marques Sampaio, com Ostigoso HPL, tempo de 20,913 segundos. Entre os Amadores, venceu Carolina de Mendonça Heinz, com Quilate VJC, tempo de 20,893 segundos. No Amador Master, o campeão foi Fábio Ricardo Bueno, com Tietê VJC, tempo de 23,801 segundos. A jovem Fernanda Banak dos Santos brilhou em duas categorias: venceu a Principiante com Orpheu NCM (21,530 segundos) e também a Infantil, com tempo de 20,746 segundos.
Equilíbrio e adrenalina
Para o diretor de Esportes do Núcleo Riograndense de Criadores de Cavalos Mangalarga (NRCCRM), Cristiano Antunes, a prova foi marcada pelo alto nível técnico e pela emoção até os últimos segundos. “Mais uma etapa concluída com sucesso. O clima ajudou, o público lotou os espaços e felizmente tudo correu bem. O cronômetro trouxe adrenalina e mostrou como a disputa é imprevisível”, avaliou.
Antunes destacou ainda a performance de Bárbara Borges na Aberta, lembrando que o menor tempo do dia não se repetiu em outras categorias, reforçando o caráter dinâmico da modalidade.
“É isso que torna a prova tão interessante: o cronômetro sempre surpreende e mantém a emoção até o fim.”
A lógica do cronômetro e o papel do conjunto
Nas provas de função do Mangalarga, o cronômetro é soberano. Cada curva, cada passada e cada retomada de velocidade podem definir o resultado. Especialistas explicam que o desempenho depende da explosão muscular do cavalo, da capacidade de giro em torno dos tambores e, sobretudo, da sincronia entre ginete e animal. Nos 3 Tambores, a precisão é tão importante quanto a velocidade: um erro mínimo de trajetória pode custar décimos preciosos.
Circuito nacional e complementaridade das provas
A prova dos 3 Tambores encerrou um ciclo que também incluiu Baliza, 5 Tambores e Working Penning. Juntas, essas modalidades compõem o circuito nacional de função do Mangalarga, evidenciando a versatilidade da raça. Enquanto a Baliza exige agilidade e coordenação, os 5 Tambores ampliam a complexidade dos giros; o Working Penning testa a habilidade de condução de gado; e os 3 Tambores sintetizam velocidade e técnica.
Com disputas equilibradas e público expressivo, a prova dos 3 Tambores reafirmou a força do Mangalarga como raça funcional e esportiva. O encerramento do circuito nacional na Expointer 2026 mostrou que tradição e competitividade caminham juntas, consolidando o cavalo como protagonista de uma modalidade que une técnica, emoção e cultura equestre. (por Gisele Flores- gisele@pampa.com.br)
