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36ª Abertura da Colheita: arroz gaúcho como espelho da macroeconomia mundial

De 24 e 26 de fevereiro, Capão do Leão recebe a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos. (Foto: Paulo Rossi)

Entre os dias 24 e 26 de fevereiro, Capão do Leão recebe a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, na Estação Experimental da Embrapa Clima Temperado. O evento se afirma como muito mais do que uma celebração agrícola: é um fórum estratégico que coloca o arroz gaúcho no centro das discussões sobre economia, comércio internacional e competitividade.

O arroz como indicador econômico

A abertura da programação traz o painel “O que esperar para 2026? Da macroeconomia às commodities”, que evidencia como juros, câmbio e PIB moldam diretamente o preço do cereal. O arroz deixa de ser apenas produto regional e passa a ser visto como termômetro da economia mundial, exigindo do produtor uma leitura ampla e estratégica da conjuntura.

Oportunidades além das fronteiras

No segundo dia, o foco se volta ao comércio exterior. Especialistas apresentam exigências técnicas e sanitárias para exportação e destacam oportunidades em mercados exigentes, como o europeu. O recado é claro: o arroz gaúcho precisa se diferenciar, investir em qualidade e conquistar nichos de consumo que valorizem atributos específicos. Produzir arroz é desafio constante, mas também oportunidade para quem antecipa tendências globais.

Reformas e desafios internos

Os debates também abordam os impactos da reforma tributária e a necessidade de autonomia frente às incertezas macroeconômicas. A mensagem é direta: não basta contar com políticas públicas, é preciso construir estratégias próprias para enfrentar riscos internos e garantir competitividade.

Vozes da prática

No encerramento, cooperativas compartilham experiências reais de exportação. Relatos sobre logística, negociações e posicionamento estratégico mostram que o arroz gaúcho já está presente em mercados globais, mas enfrenta desafios que vão da infraestrutura ao acesso a novos consumidores. Essas histórias aproximam teoria e prática, revelando o caminho percorrido por quem já transformou a lavoura em negócio internacional.

Mais do que uma abertura de safra, o evento se consolida como espaço de reflexão. O arroz aparece como produto agrícola, ativo econômico e símbolo de resiliência. Ele traduz os movimentos da macroeconomia e abre portas para o comércio internacional, revelando que o futuro da cultura depende de visão estratégica, inovação e capacidade de adaptação. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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