Terça-feira, 18 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 18 de agosto de 2026
A incontinência urinária é uma condição frequente entre mulheres acima dos 40 anos, mas continua sendo um tema pouco discutido. Uma pesquisa realizada pela Ipsos, a pedido da farmacêutica Apsen, mostra que 56% das mulheres com 40 anos ou mais já tiveram episódios de incontinência urinária, e 87% das que convivem com o problema nunca fizeram tratamento. O levantamento ouviu 1,5 mil mulheres de todas as regiões do País, entre 30 de junho e 8 de julho.
O estudo ouviu apenas mulheres porque elas representam o grupo mais afetado pela condição. Segundo a urologista Rebeka Cavalcanti, da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), fatores como gestação, parto e envelhecimento aumentam a incidência nesse público, principalmente após os 40 anos. “Os homens também podem apresentar incontinência urinária, mas geralmente ela está relacionada ao tratamento ou à retirada da próstata. Já entre as mulheres, mais de 50% podem desenvolver o problema”, afirma.
Apesar de ser uma condição frequente, a incontinência urinária ainda permanece cercada por silêncio e desconhecimento. Cerca de 20% das entrevistadas não sabiam que a condição pode ser tratada ou desconheciam que o urologista também atende mulheres.
Outro dado que chama a atenção é a demora para buscar ajuda. Segundo o levantamento, as mulheres convivem com os sintomas por um ano e meio, em média, antes de procurarem atendimento, e 36% relataram enfrentar a perda urinária há mais de dois anos.
A dificuldade também aparece nos consultórios: 54% das entrevistadas afirmaram que nenhum profissional de saúde perguntou sobre perda urinária durante consultas de rotina. Entre as mulheres com mais de 50 anos que convivem com a condição, 64% disseram ter dificuldade para falar sobre o assunto, inclusive com especialistas.
Para Rebeka, o tabu ainda é um dos principais obstáculos para o diagnóstico. “Infelizmente, muitas mulheres não procuram tratamento e, quando procuram, nem sempre recebem o cuidado da forma ideal. Precisamos conscientizar as mulheres de que a incontinência urinária é comum, mas não é normal.”
A pesquisa mostra que saber da existência de tratamento não significa, necessariamente, buscar ajuda: 58% sabiam que a incontinência urinária pode ser tratada, mas apenas 13% das que tinham a condição disseram realizar algum tipo de tratamento.
Os impactos vão muito além dos escapes de urina. Entre as mulheres que convivem com a condição, 52% disseram ter mudado algum hábito por medo de perder urina em público. As adaptações mais comuns incluem o uso preventivo de absorventes ou fraldas, a escolha de locais pela proximidade de banheiros e a redução ou interrupção de atividades físicas e caminhadas.
Para Rebeka, o impacto poderia ser reduzido se o tema fosse tratado de forma mais natural em consultas. “É preciso perguntar sobre os sintomas porque muitas acreditam que a perda urinária faz parte do envelhecimento.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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