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Saúde Sessenta por cento dos abortos de repetição são decorrentes de alterações genéticas no embrião

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Diabetes mellitus, distúrbios da tireoide, Chlamydia, Mycoplasma, Streptococcus, Ureaplasma, tabagismo, uso de drogas, consumo excessivo de álcool, cafeína e obesidade também podem causar perdas gestacionais. (Foto: Reprodução)

O aborto espontâneo é definido como a perda fetal até 24 semanas de gestação ou de um feto com peso inferior a 500 gramas, sendo um fato bastante comum. Aproximadamente 20% das mulheres sofrem aborto espontâneo, entretanto, quando essa situação ocorre pelo menos três vezes de forma consecutiva é considerado aborto de repetição.

Diferentes  situações podem causar abortos de repetição, a maior parte deles, cerca de 60%, é decorrente de alterações genéticas no embrião. As células do embrião  saudável possuem 46 cromossomos com todos os genes que permitem o seu desenvolvimento normal. Muitas gestações, porém, acabam em abortamento, pois os embriões apresentam cromossomos a mais ou a menos, o que muitas vezes é incompatível com a vida.

Outras causas como diabetes mellitus, distúrbios da tireoide (hipo e hipertireoidismo), Chlamydia, Mycoplasma, Streptococcus, Ureaplasma, tabagismo, uso de drogas, consumo excessivo de álcool, cafeína e obesidade também podem causar perdas gestacionais.

O doutor Nilo Frantz, diretor e fundador da Nilo Frantz Medicina Reprodutiva, alertou que muitos abortamentos estão relacionados a distúrbios imunológicos. “Vários casos classificados como infertilidade sem explicação ou sem causa aparente são, na verdade, decorrentes de alterações imunológicas não diagnosticadas e passíveis de tratamento. Esses distúrbios podem responder não apenas por quadros de abortamentos, mas também por repetidas falhas nos tratamentos  de fertilização in vitro”, explicou Nilo.

Segundo o especialista em reprodução assistida, uma investigação cautelosa de cada caso, inclusive com exames imunológicos, é fundamental para se detectar as causas dos abortos de repetição. Com diagnóstico preciso de cada paciente, os médicos e embriologistas podem, então, definir o melhor tratamento para evitar novas perdas.

SUS

Em uma década, o SUS (Sistema Único de Saúde) gastou R$ 486 milhões com internações para tratar as complicações do aborto, sendo 75% deles provocados. De 2008 a 2017, 2,1 milhões de mulheres foram internadas.

No intervalo, embora o número de internações tenha caído 7%, as despesas hospitalares subiram 12% em razão da gravidade dos casos. Em quase um terço deles, houve sérias complicações após o aborto, como hemorragias e infecções. Ao menos 4.455 mulheres morreram de 2000 a 2016.

O levantamento inédito obtido pelo jornal Folha de S.Paulo consta de um relatório do Ministério da Saúde que deve subsidiar o STF (Supremo Tribunal Federal) em ação que pede a descriminalização do aborto até 12ª semana de gestação. A ministra Rosa Weber, relatora da ação, marcou para os dias 3 e 6 de agosto audiências públicas sobre o processo. Serão 44 expositores, entre grupos ligados a igrejas, ONGs, universidades, sociedades médicas e o próprio ministério.

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