Quinta-feira, 15 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Geral O mercado financeiro teme a “fritura” de Paulo Guedes

Compartilhe esta notícia:

Presidente afirmou também que ministro da Economia só sairá junto com ele, "lá na frente". (Foto: Carolina Antunes/PR)

Em pouco mais de um ano e meio, as diferenças de perfis entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente Jair Bolsonaro, que se manifestam desde a campanha em 2018, parecem ter chegado ao limite do conciliável.

Nos últimos dias, tem-se falado cada vez mais sobre uma possível saída de Guedes do cargo em meio a uma divergência em relação à agenda econômica do país daqui para frente: o ministro da Economia defende a manutenção do teto de gastos e da disciplina fiscal, enquanto parte do governo, incluindo o próprio presidente, acredita que o Estado precisa gastar mais.

A queda de braço é mais um capítulo de um longo desgaste que o “superministro” vem sofrendo desde que assumiu a pasta, diante da grande dificuldade de implementar a agenda liberal que prometeu durante as eleições.

“Havia esperança de que iria abrir a economia, e ela não abriu; de que o governo iria privatizar, e não privatizou; de que iria reduzir o tamanho do Estado, e não diminuiu”, diz o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

A situação se deteriorou à medida que o ministério da Economia passou a perder espaço para outros setores dentro do governo.

O programa Pró-Brasil, que prevê a retomada do investimento público para fomentar a recuperação do emprego, foi anunciado em abril pelo ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto, sem a presença de Paulo Guedes ou de qualquer membro da equipe econômica.

O ministro da Economia também não compareceu, na semana passada, ao lançamento do programa Casa Verde Amarela, a versão repaginada do Minha Casa Minha Vida.

E foi desautorizado publicamente pelo presidente, que criticou a proposta feita pela equipe econômica para financiar o Renda Brasil (candidato a substituto do Bolsa Família) com recursos do abono salarial. Bolsonaro disse, na quarta (26/08), que não “tiraria dos pobres para dar aos paupérrimos”.

No meio do processo de desidratação, o ministério da Economia perdeu quadros importantes – a saída de técnicos descontentes com a dificuldade de implementação das reformas e com a pressão para a flexibilização da austeridade fiscal –, o que foi classificado pelo próprio ministro como uma “debandada”.

Mas, mesmo diante do pouco que foi entregue da agenda liberal vendida durante a campanha, o mercado financeiro tem reagido de forma bastante negativa à possibilidade de sua saída. Por quê?

O fator incerteza

Uma das razões é o fato de que o mercado financeiro não gosta de incerteza – ela aumenta os riscos para se investir.

Se Paulo Guedes sai, diz a consultora econômica Zeina Latif, não se sabe quem entra no lugar, nem com qual agenda.

E um ambiente de indefinição inibe o investimento privado, por exemplo, limitando o potencial de crescimento das empresas – com reflexo, por sua vez, na bolsa de valores e no mercado de debêntures.

Investidores estrangeiros saem do país em busca de outros mercados, pressionando o preço do dólar para cima. Tudo isso afeta o bolso de quem investe.

Para ela, o mercado financeiro comprou “de forma ingênua” a solução vendida por Guedes em 2018.

“Não só era nítido que existia divergência entre ele e Bolsonaro já durante a campanha, como também havia inconsistências na fala de Guedes.”

Assim, não deveria surpreender o fato de que o presidente agora “escancara” que sua agenda não é a do liberalismo.

“E ninguém pode dizer que o Bolsonaro enganou. Ele foi coerente. Nunca teve grandes convicções em relação a essa agenda”, diz ela, relembrando a reforma da Previdência em 2019, quando o presidente chegou a dizer que, pessoalmente, não queria fazê-la, mas que era preciso.

Gonçalves, do Fator, acrescenta a essa análise o pano de fundo das eleições de 2018. Diante de uma longa crise que misturou o esgotamento do modelo que aumentou a renda de ricos e pobres durante o governo Lula e um tombo no investimento privado decorrente da operação Lava Jato com o fantasma do descontrole da inflação, a demanda de uma parte do eleitorado era “acabar com aquele Brasil da Dilma”.

“O Guedes corresponde a esse momento, assim como o Bolsonaro”, avalia.

Passados quase dois anos, em um cenário em que a alternativa ainda é o PT ou algo parecido, o mercado prefere do jeito de está, diz o economista. As informações são da BBC News.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Geral

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Federação vai entregar prêmio individual ao craque das finais do Gauchão 2020
Cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro replicam proteína do coronavírus para tentar chegar a vacina
Pode te interessar