Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 31 de agosto de 2020
O ministro interino da Saúde, o general Eduardo Pazuello, e a Fundação Oswaldo Cruz acreditam que o contrato de compra e produção da vacina contra a Covid-19 da Universidade de Oxford, em parceria com a farmacêutica, também inglesa, AstraZeneca, será assinado nesta semana.
Nesta segunda-feira (31), Pazuello se encontrou mais uma vez com a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, para fecharem os últimos detalhes da negociação que dura 3 meses.
“Estou recebendo a apresentação de todo processo e da documentação completa com avaliação técnica/jurídica. A assinatura será agendada no mais curto prazo. Coisa de poucos dias”, afirmou o interino à reportagem da CNN Brasil.
Em 27 de junho, o Ministério da Saúde anunciou o envio de uma carta de interesses à Oxford para descrever o que seria possível para um contrato com o Brasil. Tudo deve se manter como o solicitado: 100 milhões de doses, entre o final deste ano e o meio de 2021, e a transferência da tecnologia para que a Fiocruz consiga produzir sozinha o imunizante, a partir de abril de 2021.
Com a assinatura do governo brasileiro firmada e enviada à universidade inglesa, o Brasil já deve receber 30 milhões de doses em outubro. O valor para os cofres públicos será de R$ 1,9 bilhão. Os primeiros brasileiros a serem vacinados farão parte do grupo de risco e dos profissionais de saúde.
O imunizante ainda está sendo testado pelo mundo todo na fase 3, em humanos. Aqui, no Brasil, 5 mil voluntários fazem parte do estudo desde julho. A vacina está sendo testada em dose dupla e vem trazendo resultados positivos.
Veterinário
Pazuello nomeou nesta segunda o médico veterinário Laurício Monteiro Cruz para o cargo de Diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis, vinculado à Secretaria de Vigilância em Saúde. Cruz substitui Marcelo Wada, servidor de carreira da pasta. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União. O cargo é peça-chave no combate à pandemia da Covid-19 por gerenciar, entre outras atribuições, o programa de vacinação brasileiro.
O departamento é responsável pelo Programa Nacional de Imunizações do Brasil, incluindo as campanhas de vacinação e a distribuição de imunizantes pelo território nacional. O novo diretor preside o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Distrito Federal e é servidor da Secretaria de Saúde do governo distrital desde 1989, segundo a Plataforma Lattes, que compila currículos de pesquisadores brasileiros.
Segundo fontes, o nome de Cruz teria sido uma indicação política do Centrão, capitaneada pelo PP. Os servidores do Ministério já estavam cientes da substituição há algum tempo, já que a nomeação estaria tramitando no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) da pasta. A troca também era esperada porque o ex-ocupante do cargo, Marcelo Wada, estava como substituto eventual na chefia do departamento, e não como titular, desde a saída de Rodrigo Said, que por sua vez substituiu o infectologista Julio Croda.
A interlocutores Wada já teria inclusive manifestado que não gostaria de continuar à frente do departamento, de modo que a substituição teria sido vista com bons olhos pelo próprio que gostaria de retornar à coordenação de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial, o que, segundo o Ministério da Saúde, ocorreu agora com a nomeação de Cruz.
Em seu currículo, Cruz informa ter especialização em Vigilância Sanitária em Saúde pela Faculdade de Ciências Wenceslau Braz (Facibra), no Paraná, e mestrado em Veterinária pela Universidade de Brasília (UnB). Entre as especialidades salientadas pelo veterinário estão a vigilância epidemiológica e o estudo de animais disseminadores de doenças como dengue, Zika e febre amarela, além de biossegurança.
Já Wada, substituído por Cruz, também é formado em Medicina Veterinária e cursou mestrado em Saúde Coletiva na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele se especializou em epidemiologia pela Universidade Johns Hopkins (EUA), uma das maiores referências acadêmicas no estudo da pandemia da Covid-19.
Em mensagens no WhatsApp, o ex-secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, criticou a escolha para o cargo.
“Nada contra os veterinários, mas essa mas essa pessoa que colocaram para coordenar o Programa Nacional de Imunização é um veterinário sem experiência com Imunização. É lamentável que estejamos vendo esse desmonte da SVS (secretaria de Vigilância em Saúde)”, escreveu.
Segundo o Ministério da Saúde, a experiência de Cruz na secretaria do DF e seu currículo o qualificam para ocupar a vaga. O órgão destaca que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) continuará sendo coordenado pela enfermeira Francieli Fantinato.
“É importante destacar que o médico veterinário tem um papel relevante na prevenção de doenças transmissíveis que estão diretamente ligadas à saúde humana”, disse a pasta.
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