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Mundo A pandemia deixou abandonado um empreendimento de 25 bilhões de dólares em Nova York, o maior investimento imobiliário privado da história dos Estados Unidos

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O chamado The Vessel, peça central do empreendimento, foi fechado para visitantes depois do terceiro suicídio na atração em menos de um ano. (Foto: Reprodução)

Quando o Hudson Yards foi inaugurado, em 2019, como o maior empreendimento imobiliário privado da história americana, sua aspiração era transformar o Far West Side de Manhattan com a elegância de seus condomínios de luxo, torres de escritórios para poderosas empresas, como o Facebook, e um shopping center com cobiçadas marcas internacionais e restaurantes de celebridades da gastronomia, como José Andrés.

Tudo isso em torno de uma escultura em tom de cobre que seria para Nova York o que a Torre Eiffel é para Paris. Mas a pandemia arrasou o mercado imobiliário da cidade de Nova York e seu principal empreendimento, de US$ 25 bilhões — o que levantou significativos questionamentos a respeito do futuro do Hudson Yards.

Centenas de apartamentos ainda não foram vendidos e seu shopping center tem poucos clientes. A principal inquilina, a rede Neiman Marcus, declarou falência e fechou permanentemente, e pelo menos outras quatro lojas, assim como vários restaurantes, também encerraram suas atividades.

A peça central do empreendimento, uma estrutura escalável de mais de 45 metros de altura, conhecida como The Vessel, foi fechada para visitantes depois do terceiro suicídio na atração em menos de um ano. Os prédios de escritórios, cujos trabalhadores sustentavam muitas lojas e restaurantes, estão quase totalmente vazios desde a primavera.

Ainda mais arriscada, a prometida segunda fase do Hudson Yards — outros oito edifícios, incluindo uma escola, mais apartamentos de luxo e espaço para escritórios — parece estar pausada indefinidamente, enquanto sua construtora, a Related Cos., busca financiamento federal para a plataforma de aproximadamente 40 mil metros quadrados sobre a qual ela seria construída.

A Related afirmava que o projeto completo seria construído até 2024, mas agora não estima mais a data de entrega. Os problemas desse projeto são, de muitas maneiras, como um microcosmo dos desafios mais amplos que a cidade enfrenta ao tentar se recuperar.

A construtora afirmou que contava com ricos compradores para seus apartamentos e clientes abastados lotando seu shopping center para tornar o Hudson Yards viável financeiramente. Mas isso foi antes de o coronavírus chegar a Nova York.

Com a pandemia forçando trabalhadores de escritórios a ficar em casa — e mantendo afastados clientes estrangeiros e turistas — não está claro quando será reativada a demanda em relação à vasta oferta de apartamentos luxuosos e sofisticados escritórios que recortam o horizonte da cidade, ou mesmo se isso acontecerá.

“Os desafios que o Hudson Yards encara não são só dele”, afirmou Danny Ismail, analista e diretor para imóveis comerciais da firma de pesquisas imobiliárias Green Street Advisors. “Todos os imóveis comerciais da cidade de Nova York sofreram com o impacto da covid-19. Porém, eu argumentaria que, no pós-pandemia, o Hudson Yards e a área que o cerca serão alguns dos melhores mercados para escritórios na cidade de Nova York.”

A criação do Hudson Yards foi resultado de quase 30 anos de planejamento para a última região grande e não desenvolvida de Manhattan, um campo industrial entre a Pennsylvania Station e o Rio Hudson.

Trata-se do maior investimento público-privado de Nova York, o maior empreendimento imobiliário na cidade desde a construção do Rockefeller Center, nos anos 1930, auxiliado por aproximadamente US$ 6 bilhões em isenções fiscais e outras ajudas do governo, incluindo a expansão do metrô para o West Side. Mesmo assim, o Hudson Yards ainda é relativamente isolado do restante de Manhattan, longe do caminho pulsante das avenidas mais movimentadas percorridas por turistas, compradores e trabalhadores.

A Related reconheceu que está enfrentando os mesmos problemas financeiros que o restante da cidade, mas afirmou que inquilinos ainda estão movimentando os edifícios comerciais do projeto e que o Hudson Yards vai, por fim, se recuperar.

Quatro prédios de escritórios no Hudson Yards — incluindo o edifício de número 50, que está em construção — estão com 93% das unidades alugadas, afirmou um porta-voz da Related, apesar de não estar claro quantos desses negócios ocorreram no ano passado. O Facebook assinou no fim de 2019 o aluguel de um espaço de aproximadamente 140 mil metros quadrados.

“Nosso forte movimento de aluguel de escritórios, mesmo durante a pandemia, ocorre porque estamos bem posicionados para liderar a recuperação de Nova York após a covid e porque os bairros adjacentes e todo o West Side vão se recuperar mais rapidamente”, afirmou o porta-voz, Jon Weinstein.

Ainda assim, os problemas que confrontam o Hudson Yards fizeram a Related repensar seus planos. Dirigida pelo bilionário que a fundou, Stephen M. Ross, a empresa se programou para construir o Hudson Yards em duas fases. A primeira fase, inaugurada em 2019, consiste em quatro torres de escritórios, dois prédios residenciais, um hotel e um shopping center.

A segunda parte do empreendimento deveria incluir 3 mil unidades residenciais em oito edifícios, construídos mais próximos ao Rio Hudson, e também uma escola pública com capacidade para 750 alunos e centenas de unidades para aluguel de baixo custo. Pelo menos 265 apartamentos deverão ser “permanentemente acessíveis economicamente”, segundo o acordo estabelecido em 2009 pela prefeitura e a Related.

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