Sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de março de 2021
O gerente de incidentes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Sylvain Aldighieri, orientou nesta quarta-feira (17) que a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca/Oxford deve continuar sendo administrada nos países que já a utilizam.
“A agência europeia de medicamentos (EMA) não encontrou relação causal entre a vacina e os casos de trombose até o momento”, disse Aldighieri.
O diretor explicou que a trombose pode acometer qualquer pessoa, tanto nas que “já foram vacinadas e as que não foram”, e que não há comprovações científicas até o momento que o imunizante da AstraZeneca/Oxford tenha este tipo de efeito colateral.
Aldighieri informou também que os dois lotes da vacina da AstraZeneca/Oxford que foram associados a eventos de trombose na Europa não vieram para as Américas.
“A vacinação salva vidas”, disse. “A vacina vai ter um impacto na dinâmica da transmissão do vírus.”
Vários países europeus, incluindo Espanha, França e Alemanha, suspenderam nos últimos dias o uso da vacina desenvolvida por cientistas da Universidade de Oxford e do laboratório sueco-britânico AstraZenaca como medida de “precaução” por possíveis efeitos colaterais, como a formação de coágulos sanguíneos.
Na última segunda-feira (15), o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, também orientou que os governos mantenham a vacinação com o imunizante da farmacêutica AstraZeneca. Foi a terceira vez que Tedros saiu em defesa da vacina.
“Isso [suspensão da vacina em alguns países] não significa necessariamente que esses eventos estejam relacionados à vacinação. É prática de rotina investigá-los e mostra que o sistema de vigilância funciona e que controles eficazes estão em vigor”, disse o diretor-geral.
Reino Unido
Mais cedo, nesta quarta, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, pediu que a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela AstraZeneca/Oxford continue sendo administrada, enquanto o príncipe Charles, herdeiro do trono, criticou os movimentos antivacinas em meio à pandemia do coronavírus.
“Não há evidências de que essas vacinas tenham causado coágulos sanguíneos”, escreveu Hancock no jornal The Sun, enfatizando que esta não é apenas a sua opinião, mas também a do regulador britânico MHRA, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Agência Europeia de Medicamentos (EMA).
“Mais de 11 milhões de doses da vacina AstraZeneca já foram administradas no Reino Unido e a taxa de casos notificados (de trombose) entre os vacinados é menor do que seria naturalmente esperado na população em geral”, argumentou o ministro.
Algumas vozes no Reino Unido acusam os países que suspenderam seu uso de atuar por motivação política para desviar a atenção de suas campanhas de vacinação que avançam lentamente, em pleno conflito com o laboratório britânico, que anunciou que só poderá entregar no primeiro trimestre um terço das 120 milhões de doses inicialmente prometidas para a União Europeia.
O Reino Unido lançou sua campanha de vacinação em massa em 8 de dezembro com as vacinas AstraZeneca/Oxford e Pfizer/BioNTech. Desde então, cerca de 25 milhões de pessoas receberam a primeira dose, quase metade da população adulta do país.
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