Terça-feira, 16 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de março de 2021
Um relatório sobre as origens da pandemia de covid-19, feito por especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e chineses, analisou quatro hipóteses de como o vírus atingiu os humanos, classificando-as da mais à menos provável.
Os pesquisadores que estiveram na visita de campo a Wuhan, na China, entre o final de janeiro e o início de fevereiro, ainda não descartaram, porém, nenhuma hipótese, e o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu mais estudos, criticando a falta de acesso a dados brutos do governo chinês sobre os primeiros casos da covid-19 registrados na cidade, no final de 2019.
Veja as hipóteses e os argumentos a favor e contra cada uma delas:
Um animal vetor
Essa hipótese, considerada pelos especialistas “entre provável e muito provável”, defende que o vírus foi transmitido do animal hospedeiro original, provavelmente um morcego, ao ser humano por meio de um animal hospedeiro intermediário.
— A favor: Embora os vírus mais semelhantes tenham sido encontrados em morcegos, a distância evolutiva entre esses vírus e o SARS-CoV-2 que causa a covid-19 é estimada em várias décadas, sugerindo um “elo perdido” entre os dois, de acordo com o relatório.
Outros vírus muito semelhantes também foram detectados em pangolins, sugerindo que a transmissão entre espécies de morcegos ocorreu pelo menos uma vez. O relatório também observa que uma etapa intermediária envolvendo um hospedeiro que pode incluir outros vírus foi observada.
— Contra: O SARS-CoV-2 foi encontrado em um número crescente de espécies animais, mas estudos sugerem que os humanos os infectaram.
Até agora, os testes realizados em uma ampla gama de animais domésticos e selvagens na região onde o surto começou não mostraram sinais de SARS-CoV-2.
Esta hipótese, considerada de “possível a provável”, assume que o SARS-CoV-2 passou diretamente do hospedeiro original, provavelmente um morcego, para os humanos.
— A favor: A maior parte dos coronavírus encontrados em humanos hoje vem de animais. Assim, vírus com grande similaridade genética com o SARS-CoV-2 foram encontrados em morcegos ‘Rhinolophus’.
O documento também observa que “anticorpos contra proteínas de coronavírus de morcego foram encontrados em humanos que estiveram em contato próximo com eles”.
— Contra: Embora a relação genética mais próxima com o SARS-CoV-2 seja um vírus de morcego, a análise indica que há uma diferença evolutiva significativa entre eles.
“Além disso, os contatos de homem com morcego ou pangolim não são tão frequentes quanto o contato de homem com gado ou animal selvagem”.
Esta hipótese, considerada “possível”, sugere que os alimentos congelados ou suas embalagens podem ter sido um vetor potencial para a SARS-CoV-2.
Pequim defende a ideia da origem estrangeira do patógeno, mas, segundo o relatório, a hipótese de sua entrada na China por meio de alimentos congelados em 2019 seria “extraordinária”, pois o vírus “não circulava então em uma grande escala” no mundo.
— A favor: A China registrou alguns surtos relacionados à importação de produtos congelados em 2020. O SARS-CoV-2 foi detectado na embalagem externa de produtos congelados importados, sugerindo que o vírus pode resistir ao frio.
— Contra: “Não há evidências conclusivas para a transmissão do SARS-CoV-2 através dos alimentos e a probabilidade de contaminação da cadeia de frio com o vírus de um reservatório é muito baixa”, observa o relatório.
Acidente de laboratório
Esta hipótese, considerada “extremamente improvável”, considera que o SARS-CoV-2 foi disseminado por um acidente de laboratório. Os especialistas não consideraram a hipótese de escape deliberado, já descartado pelos cientistas.
– A favor: “Embora raros, acidentes de laboratório ocorrem”, observa o relatório. E o CoV RaTG13, a cepa mais próxima do SARS-CoV-2 e encontrada em amostras anais de morcegos, foi sequenciado no Instituto de Virologia de Wuhan.
– Contra: “Não há registros de vírus intimamente relacionados ao SARS-CoV-2 em qualquer laboratório antes de dezembro de 2019, nem de genomas que combinados poderiam fornecer um genoma SARS-CoV-2”, diz o relatório.
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