Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 21 de abril de 2021
Cantora falou da separação conturbada do ex-marido, com quem formava a Banda Calypso
Foto: Reprodução/InstagramJoelma, de 46 anos, tornou-se um exemplo de luta feminina desde que decidiu abrir sua intimidade e expôr os traumas do passado com o pai alcoólatra, José Benahum, e a conturbada separação de Ximbinha, acusado por ela de agressão e traições. A cantora, que acaba de lançar “Coração Vencedor”, música sobre força e libertação, comentou como superou as violências sofridas no passado, admitiu ter ficado com sequelas da Covid-19 e revela não ter desistido do amor.
“Este ano, completo 28 anos de carreira, comecei com 19 e já vou fazer 47. Foi muita luta até chegar aqui. Sofri muito preconceito, por ser do norte. Me lembro de uma cena em que estava no interior dividindo camarim com mais três bandas… Quando falava que era de Belém do Pará, as pessoas se levantavam e parecia que nós tínhamos uma doença contagiosa. Sabendo disso, meu empresário dizia para falar que éramos de São Paulo. Mas quando eu entrava, dava um berro tão grande dizendo: ‘Isso é Calypso, do Belém do Pará'”, declara.
A artista aprendeu a se orgulhar das origens desde criança. “Acho que sou privilegiada por ter nascido naquele lugar lindo. Era muito feliz. Fui criada na rua com toda liberdade, me sentia um passarinho fora da gaiola. Para mim, estava no melhor lugar do mundo. Quando os paraenses vinham para São Paulo, eles tinham que mentir que eram de outro lugar. Eu não. Sempre tive muito orgulho de onde eu vim. Desde pequenininha, aprendi que não sou melhor do que ninguém, mas ninguém é melhor do que eu. Não abaixo minha cabeça para ninguém, mas também não levanto. Para mim, nós somos todos iguais”, acredita.
Joelma tem como inspirações as mulheres de sua família. “Essa força vem da minha bisavó, Cantiliana, avó, Raimunda, e minha mãe, Maria de Nazareth. As histórias delas foram se repetindo e todas foram abandonadas pelos maridos. E naquela época era muito mais difícil, porque mulher sofria muito preconceito por ser mãe solteira”, lamenta ela, que alerta para o crescimento dos casos de feminicídio. “Aumentou muito a violência contra a mulher na pandemia, mas acredito que isso não é de agora. A pandemia só foi o estopim. Por isso, a importância de denunciar”, ressalta.
Mãe de Yasmin, Natália e Yago, a cantora não quer para as filhas o que passou com o ex-marido. Joelma sempre tentou esconder da família as brigas entre os dois. Mas quando tudo saiu de controle, ela decidiu dar um basta.
“Não deixar acontecer, tem que lutar muito… Aconteceu no início comigo. Bem no início e no final do meu relacionamento. Mas quando começou a afetar os meus filhos, eu decidi que isso não podia mais acontecer. Acho que nosso casamento durou muito ainda, porque a gente trabalhava demais. E o trabalho era o meu refúgio. Eu aguentava, porque ali eu me refazia, me renovava, me reinventava. E isso me segurou muito na relação. Mas quando começou a afetar os meus filhos, eu disse: ‘Agora, não dá mais’. Quando é só com você, ainda dá para segurar. Como a gente passava pouco tempo em casa, eles nunca viram acontecer. Quando meu filhos presenciaram [a agressão por parte de Ximbinha], foi a gota d’água. Aí, tomei a decisão e foi a melhor coisa que fiz para não deixar acontecer com eles, o que aconteceu comigo”, relembra.
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