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Política Em ações que envolvem réus com foro privilegiado avaliadas pelo Supremo, apenas 3% resultam em condenação

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Maioria dos casos avaliados pelo STF segue para instâncias inferiores, mostra estudo.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
PT, PSB e PSOL ajuizaram uma ação em 2018 contra a lei de 2006 que passou a proibir os comícios apoiados por artistas. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Levantamento obtido pelo Estadão aponta que, em ações que envolvem réus com foro privilegiado avaliadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apenas 3% resultaram em condenação. Na maioria dos casos (58%) as ações foram remetidas a instâncias inferiores por perda de prerrogativa de função do réu antes da conclusão do julgamento. Outros 13% prescreveram e 16% estavam à espera de conclusão. Em 10% dos casos os réus foram absolvidos.

Os números se referem a matérias analisadas pela Corte entre os anos de 1989 e 2016. Para especialistas, o não julgamento privilegia investigados e pode contribuir para a impunidade.

Cientista político e um dos autores da pesquisa, José Gomes Neto afirmou que o não julgamento de autoridades públicas no STF tem sido “silencioso” nos últimos anos. “Os ministros argumentam que estão cumprindo com as garantias necessárias do processo. Mas ter como resultado normal a prescrição ou a realocação de instância mostra que não está havendo uma tramitação necessária para se julgar”, disse o professor da Universidade Católica de Pernambuco.

Um caso recente de mudança de foro foi o do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. O inquérito aberto para investigar a suposta omissão na crise do Amazonas foi enviado à primeira instância no dia 24 de março, após Pazuello deixar o ministério.

O grande problema da transferência de responsabilidade, segundo especialistas, é que o “cronômetro processual” continua rodando. “Há um custo de tempo maior ao processo, e esse custo aumenta as chances de impunidade, já que uma parcela de processos prescreve”, disse o professor do Insper, Ivar Alberto Hartmann.

Um caso emblemático foi o do ex-senador Ronaldo Cunha Lima. A ação que julgava tentativa de homicídio contra seu antecessor, Tarcísio Burity, ficou cinco anos tramitando no Supremo. Em 2007, às vésperas de a ação ser julgada, ele renunciou ao segundo mandato de deputado federal. O processo, então, voltou para a Justiça da Paraíba e foi arquivado em 2012, com a morte de Cunha Lima.

Em 2015, duas ações que miravam os então senadores Marta Suplicy e Jader Barbalho prescreveram quando ambos completaram 70 anos – o prazo de prescrição de um crime cai pela metade quando o réu atinge essa idade.

A edição de 2017 do estudo Supremo em Números, da FGV, também tratou do foro privilegiado no Supremo. Hartmann foi um dos autores da pesquisa, que chegou à conclusão de que apenas 5,94% das ações penais começam e terminam no Supremo.

Mas por que o Supremo deixa de julgar grande parte dessas ações? Não há uma só resposta, porém Hartmann acredita que o pouco incentivo seja uma delas. “Encontramos processos que estavam conclusos por anos e bastava o ministro tomar providências, mas ele escolheu não fazer nada. Soma-se a isso a ausência, por parte do tribunal, de estímulos adequados à eficiência especificamente nos casos do foro privilegiado”, disse.

Para a professora de direito processual penal da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Marta Saad, os dados indicam que o Supremo não tem, realmente, vocação para funcionar como juiz de primeiro grau.

“Na prática, o STF dirige esforços para aquilo que realmente se espera de uma corte constitucional, cuja função primária é revisar possíveis infrações à Constituição”, afirmou Marta. Não à toa, a pesquisa dos cientistas políticos José Gomes Neto e Ernani Carvalho mostra que as ações de controle de constitucionalidade continuam sendo a pauta mais julgada pelo plenário da Corte.

Crimes

O estudo conclui que crimes eleitorais têm três vezes mais chances de condenação do que o de corrupção. Já entre os réus não julgados, senadores possuem 3,1 vezes mais chance de seus processos permanecerem parados sem decisão, enquanto que deputados federais possuem 6,2 vezes mais chances de ser verificada a ausência de decisão nos seus processos.

Nos últimos anos, o Supremo tem se movimentado para restringir as hipóteses do foro. Em 2001, a prerrogativa foi reduzida apenas ao período em que as autoridades exerciam suas funções públicas. Em maio de 2018, os ministros determinaram que deputados e senadores só teriam foro garantido em caso de crimes cometidos durante o mandato e em função do cargo que ocupam.

Por meio de nota, o STF afirmou que o tempo de tramitação varia de acordo com a complexidade de cada ação e com os tipos de ritos, recursos e procedimentos. “A Secretaria Judiciária e os gabinetes acompanham periodicamente os prazos de prescrição dos processos em andamento. O mesmo acompanhamento é realizado pela presidência do tribunal a partir da liberação dos casos pelo relator para a devida inclusão oportuna em pauta.” Com informações do portal Terra.

 

 

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Tecladista Flc
28 de abril de 2021 20:42

Nada de novo, o STF tem o rabo preso com a maioria dos corruptos

João Fernando Zacher
27 de abril de 2021 22:29

Esse foro privilegiado é a maldição do povo brasileiro pois,
nos mantém sustentando uma rafuagem infiltrada no poder
da república e de lá não saem pois o STF, (outra Maldição) os mantem em seus postos, assaltando e se locupletando nos nossos impostos. enquanto existir essa ABERRAÇÃO no
governo, somos apenas escravos dessa bandidagem travestida de “OTORIDADE PARLAMENTAR”…. Vermes.

Fernando Krause
27 de abril de 2021 19:25

Brasília é a capital mundial do lobby e da corrupção pública! Nos tempos bíblicos poderia ser considerada como Sodoma, Gomorra, ou as duas juntas!

Hidem Hidem
26 de abril de 2021 14:30

Quer dizer que não pegam os grandes predadores…. só cai na rede do STF, peixe pequeno…. tubarão é liberado..??!! A questão é saber porque???….. – Relacionamento??? – Escritórios de advocacia de parentes??? – Os tubarões por roubar altas somas…. tem muita grana para comprar qualquer coisa??? – Contas no exterior??? O importante é que temos que entender o que está liberando os Tubarões….. Existe um Mecanismo bem lubrificado; escritórios de ADV de Brasilia, com relaçoes criminosas com o STF(sempre os mesmos escritórios??!!)……. e alimentado o que sustenta toda esta podridão….este cancer… PF, Tribunais de Contas, Receita, ABIN…. Não conseguem encontrar… Leia mais »

Nilton G Veiga
26 de abril de 2021 13:11

Todo esse blá, blá, blá, confirma que o Brasil não precisa de um STF com integrantes ganhando salários altíssimos mais mordomias com dinheiro pago pelo povo sofrido com desigualdades sociais e que hoje vive sob a ditadura branca imposta por estas pessoas.
Aqui no Sul se diz que: “viram o cocho onde comem”.
Vergonha!

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