Em tour por Brasília, pela primeira vez desde que retomou seus direitos políticos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se lançou numa ofensiva para as eleições de 2022, que avança sobre aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Desde segunda-feira (3), o petista tem tido conversas no espaço que montou em um hotel na região central da capital federal, a apenas três quilômetros do Congresso Nacional. Ele vem falando não apenas com nomes mais à esquerda do espectro político.
O Palácio do Planalto decidiu mapear os cargos que o Partido Social Democrático (PSD) tem no governo federal, após o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília, na quarta-feira (5). Lula recebeu Kassab, que entrou e saiu do hotel longe dos olhos dos jornalistas.
De acordo com informações do Planalto, o principal dos cargos é o comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que teve orçamento aprovado de cerca de R$ 2,7 bilhões para 2021.
“Lula deixou claro que é candidato à Presidência e disse que vai procurar todas as lideranças, independentemente do partido político”, relatou Kassab, a quem Lula disse estar costurando um projeto para o Brasil. Segundo Kassab, Lula quis ouvir sua avaliação sobre economia e combate à pandemia.
Kassab disse ao petista que a situação é preocupante, mas afirmou que a posição do PSD em relação ao governo é de “independência colaborativa”. O presidente do PSD disse a Lula que a sigla terá candidato próprio à Presidência e ao governo de, pelo menos, 14 estados.
O posicionamento de Kassab, que foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff (PT) e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações no governo Michel Temer (MDB), é visto como uma tentativa de se consolidar como alternativa de centro para o Palácio do Planalto, além de postergar para o ano que vem qualquer decisão sobre o lado que tomará na eleição.
Com uma candidatura virtual, ele pode se manter próximo a Bolsonaro e, ao mesmo tempo, não se desgastar com Lula até que o cenário eleitoral esteja mais definido.
O atual ministro das Comunicações, Fábio Faria, liderado por Kassab no PSD, só acreditou na reunião do cacique com Lula depois de ver a foto, divulgada pelo PT.
Entre os aliados de Bolsonaro (sem partido), não há consenso sobre o que fazer com Kassab, após a aproximação dele com o inimigo mortal do presidente. Para uma pessoa próxima a Bolsonaro, o ex-ministro de 2016 a 2018 e ex-prefeito de São Paulo, não é alguém que o governo deveria querer na oposição.


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