Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 19 de maio de 2021
O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello negou, em depoimento na CPI da Covid, nesta quarta-feira (19), que o presidente da República ou mesmo ele tenham se guiado por aconselhamento paralelo em reuniões no Planalto. Mas disse não poder garantir que Bolsonaro não ouça ou avalie o que ocorra em volta.
Questionado sobre a influência dos filhos de Bolsonaro no Ministério da Saúde, Pazuello negou qualquer participação deles em decisões da pasta, mas afirmou que esperava que pudesse conversar mais com Flávio, Eduardo e Carlos.
Na CPI, Pazuello confirmou que o empresário Carlos Wizard passou um mês trabalhando pro bono no Ministério da Saúde. Ele negou, porém, ter aceitado aconselhamento de médicos sugerido por Wizard. Disse que encontrou os profissionais apenas uma vez.
O ex-ministro salientou ainda que sempre houve convergência do seu entendimento à frente do Ministério da Saúde com o presidente Bolsonaro. Também garantiu que nunca lhe foram repassadas restrições ou orientação de atuação.
Pazuello disse que sempre defendeu uso de máscaras, limpeza de mãos e “distanciamento social necessário em cada situação”. Mas afirmou que a decisão sobre a aplicação dessas medidas cabia a governadores e prefeitos.
As informações são do Blog do Jamildo, no UOL.
Falta de oxigênio
Também durante o seu depoimento à CPI da Covid nesta quarta, Pazuello afirmou que o estoque de oxigênio hospitalar em Manaus (AM) ficou negativo durante três dias em janeiro.
A fala gerou revolta de senadores na comissão. Eduardo Braga (MDB-AM) disse que o ex-ministro estava mentindo e que a carência do insumo durou mais.
“Quando a gente observa os mapas, a gente vê que a White Martins [empresa fornecedora de oxigênio] começa a consumir seus estoques já no fim de dezembro. Então, ela tem um consumo, uma demanda, e começa a entrar no negativo, e esse estoque vai se encerrar no dia 13 [de janeiro], quando acontece uma queda de 20% na demanda e no consumo do Estado. No dia 15, já voltou a ser positivo o estoque de Manaus”, afirmou Pazuello.
Nesse momento, Braga interrompeu para dizer que a afirmação do ministro era “mentirosa”.
“Informação errada, mentirosa. Não faltou oxigênio no Amazonas apenas três dias. Faltou oxigênio na cidade de Manaus por mais de 20 dias. É só ver o número de mortos. É só ver o desespero”, interveio o senador.
Pazuello respondeu: “Não são os dados que estão comigo”.
Em seguida, Braga lembrou que as mortes por falta de oxigênio em Manaus ocorreram por vários dias no início do ano. A capital do Amazonas foi uma das cidades mais afetadas pela segunda onda da pandemia e as mortes de pacientes nas filas de UTI e por falta de oxigênio comoveram todo o País.
“Não, ministro, desculpe. Nós tivemos pico de mortes por oxigênio em Manaus no dia 30 de janeiro. Antes, ficamos dependendo da ajuda do [ator] Paulo Gustavo, do [cantor] Gusttavo Lima. Vamos parar de ficar dizendo que foram 3 dias de falta de oxigênio”, disse o senador.
Braga também criticou o fato de o governo não ter enviado, no auge da crise, um avião para buscar oxigênio doado pela Venezuela.
“Eu só quero complementar que do dia 10 ao 20 de janeiro, quando chegou o avião da Venezuela, passaram-se dez dias morrendo em média 200 pessoas por dia no Amazonas. Foram 2 mil amazonenses que morreram. Nós poderíamos ter colocado aquele oxigênio”, declarou.
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